O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Tradução de José Herculano Pires

O Livro dos Espíritos-FEESP-GeaE

O Livro dos Espíritos
Allan Kardec
Tradução: J. Herculano Pires

A Federação Espírita do Estado de São Paulo (F.E.E.S.P.) autoriza ao Grupo de Estudos Avançados Espíritas (G.E.A.E.) a distribuição deste texto na forma digital sem fins lucrativos, desde que  seu conteúdo não seja alterado. Estão vedadas quaisquer outras formas de reprodução e distribuição. 

Analisando as tags <META> do cabeçalho dos arquivos originais HTML, é possível extrair a data precisa, o software e o método de criação desse material histórico:

1. Período de Criação: Entre 1997 e 1998

  • Ferramenta de Criação: A tag GENERATOR indica que o arquivo foi salvo usando o Mozilla / Netscape Communicator 4.04 (Win95; I).

  • Lançamento do Navegador: A versão 4.04 do Netscape foi lançada oficialmente em fevereiro de 1998 (com as compilações em pré-lançamento do final de 1997).

  • Conclusão de Data: Este documento foi editado e codificado exatamente no primeiro semestre de 1998 (ou final de 1997) no sistema operacional Windows 95.

2. Detalhes Técnicos e Históricos

  • Autoria: A tag Author confirma a autoria do Grupo de Estudos Avançados Espíritas – GEAE (o texto exibe Avan�ados e Esp�ritas devido à codificação ISO original).

  • Editor Web Utilitário: O Netscape 4.04 vinha integrado com o Netscape Composer, que era um editor HTML WYSIWYG (“o que você vê é o que você obtém”) muito popular no final dos anos 90 para a criação de páginas web e e-books em HTML.

  • Codificação de Texto (iso-8859-1): Padrão de acentuação Ocidental usado na Web antes da popularização do UTF-8. Por isso, os caracteres com acento eram representados por entidades HTML (como &iacute; para o í de Espíritos).

  • 3. Valor Histórico no Site do GeaE

    Como se trata de uma peça histórica da internet espírita brasileira, editamos um trecho explicativo ou uma “Nota Histórica” sobre a edição deste livro:

    Nota Histórica / Biblioteca Digital GeaE: Esta edição digital foi codificada e preservada originalmente pelos voluntários do GEAE em 1998, utilizando as primeiras ferramentas de editoração web da internet brasileira (Netscape/Win95). Trata-se de um patrimônio digital do acervo espírita.

O Livro dos Espíritos
ALLAN KARDEC
 
Contendo os Princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade (segundo o ensinamento dos Espíritos superiores, através de diversos médiuns, recebidos e ordenados por Allan Kardec.)
 
Tradução de
J. HERCULANO PIRES
Revista e anotada pelo tradutor 
 
edições
   FEESP

Nota da editora

É com satisfação que a FEESP lega ao público esta edição da magistral obra do Codificador, em cuidadosa tradução elaborada pelo Prof. J. Herculano Pires, esperando que ela alcance a mesma penetração colimada por todas as demais que constituem o chamado pentateuco Kardequiano.

“O Livro dos Espíritos” deu autêntica guinada em todos os conceitos que até então se prevaleciam, no tocante à realidade do mundo dos Espíritos, e principalmente no sempre momentoso tema da pré-existência e persistência da alma. Desta forma, a exemplo do que afirmou Jesus Cristo, quando proclamou que não vinha destruir a lei mas dar-lhe cumprimento, o papel desempenhado pelo “O Livro dos Espíritos”, é de ajudar as demais religiões a consolidar a crença na imortalidade da alma, representando assim poderosa barreira a impedir a avassaladora marcha do materialismo desintegrador.

O Espiritismo veio oferecer o mais lógico conjunto doutrinário que tem surgido, mas, ainda assim, tudo o que sustenta em sua estrutura está, à saciedade, comprovado pela experimentação metódica de grandes sábios, de projeção mundial e também por tudo aquilo que está contido no Evangelho.

O majestoso edifício de suas verdades irretorquíveis, alicerça-se sobre a base granítica da ciência. Antes de tudo a Doutrina dos Espíritos faz um apelo à razão e daí o seu progresso assombroso como nenhuma outra pode alcançar, no mesmo espaço de tempo, através de toda a história do pensamento humano.

A razão de ser dos sistemas filosóficos e das religiões consiste em propiciar uma explicação lógica sobre a vida e o seu objetivo e, conseqüentemente, prescrever o remédio necessário à dor que nasce em todas as almas e orvalha de lágrimas, de forma indiscriminada, as faces dos pobres e dos potentados.

A Terceira Revelação, consubstanciada nas obras da Codificação Kardequiana mostra, de um modo claro, a origem do sofrimento; desvenda o mistério da vida e da desencarnação; assegura o progresso de todos os Espíritos dentro do tempo e do espaço, sob a égide das leis eternas e imutáveis do Criador de todas as coisas.

Mais do que nunca, pois, os ensinamentos contidos nessa obra ajudarão os homens a encontrarem o seu verdadeiro caminho e, os exemplos vivos com os quais eles deparam no perlustrar das páginas; têm propiciado, a milhões e milhões de pessoas, a prova irretorquível da sobrevivência da alma. Os testemunhos de muitos nos dão conta de que uma quantidade infinda daqueles que tiveram a ventura de conhecer o Espiritismo, tem trocado o caminho íngreme e obscuro da descrença, pela estrada florida da crença fundamentada sobre a razão e a lógica.

Esperamos, assim, que o contributo da Federação Espírita do Estado de S. Paulo, lançando mais uma edição desta majestosa obra, seja visto como mais uma fonte geratriz de consolações e de orientação, atendendo às ponderações do Espírito de Verdade, quando disse que o papel do Espiritismo é de evolver e revolucionar o mundo inteiro.

A EDITORA

 

Nota do tradutor

Com este livro surgiu no mundo o Espiritismo. Sua primeira edição foi lançada a 18 de abril de 1857, em Paris, pelo editor E. Dentu, estabelecido no Palais Royal, Galérie d’Orleans, 13. Três novidades, à maneira das tríades druídicas, apareciam com este livro; a DOUTRINA ESPÍRITA e a palavra ESPIRITISMO, que a designava; o nome ALLAN KARDEC, que provinha do passado celta das Gálias.

A primeira novidade era apresentada como antiga, em virtude de representar a eterna realidade espiritual, servindo de fundamento a todas as religiões de todos os tempos: a Doutrina Espírita. Era, entretanto, a primeira vez que aparecia na sua inteireza, graças à revelação do Espírito da Verdade prometida pelo Cristo. A segunda, a palavra Espiritismo, era um neologismo criado por Kardec e desde aquele momento integrado na língua francesa e nos demais idiomas do mundo. A terceira representava a ressurreição do nome de um sacerdote druída desconhecido.

A maneira por que o livro fora escrito era também inteiramente nova. O prof. Denizard Hippolyte Léon Rivail fizera as perguntas que eram respondidas pelos Espíritos, sob a direção do Espírito da Verdade, através da cestinha-de-bico. Psicografia indireta. Os médiuns, duas meninas, Caroline Baudin, de 16 anos e, Julie Baudin, de 14, colocavam as mãos nas bordas da cesta e o lápis (o bico) escrevia numa lousa. Pelo mesmo processo o livro foi revisado pelo Espírito da Verdade através de outra menina, a srta. Japhet. Outros médiuns foram posteriormente consultados e Kardec informa, em Obras Póstumas: “Foi dessa maneira que mais de dez médiuns prestaram concurso a esse trabalho”.

Este livro é portanto, o resultado de um trabalho coletivo e conjugado entre o Céu e a Terra. O prof. Denizard não o publicou com o seu nome ilustre de pedagogo e cientista, mas com o nome obscuro de Allan Kardec, que havia tido entre os druídas, na encarnação em que se preparara ativamente para a missão espírita. O nome obscuro suplantou o nome ilustre, pois representava na Terra a Falange do Consolador. Esta Falange se constituía dos Espíritos Reveladores, sob a orientação do Espírito da Verdade e, dos pioneiros encarnados, com Allan Kardec à frente.

A 16 de março de 1860 foi publicada a segunda edição deste livro, inteiramente revisto, reestruturado e aumentado por Kardec sob orientação do Espírito da Verdade, que desde a elaboração da primeira edição já o avisara de que nem tudo podia ser feito naquela.

Assim, a primeira edição foi o primeiro impacto da Doutrina Espírita no mundo, preparando ambiente para a segunda que a completaria. Toda a Doutrina está contida neste livro, de forma sintética e, foi posteriormente desenvolvida nos demais volumes da Codificação.

Escrito na forma dialogada da Filosofia Clássica, em linguagem clara e simples, para divulgação popular, este livro é um verdadeiro tratado filosófico que começa pela Metafísica, desenvolvendo em novas perspectivas a Ontologia, a Sociologia, a Psicologia, a Ética e, estabelecendo as ligações históricas de todas as fases da evolução humana em seus aspectos biológico, psíquico, social e espiritual. Um livro para ser estudado e meditado, com o auxílio dos demais volumes da Codificação.

O TRADUTOR