por Orson Peter Carrara
Com certa frequência, tenho organizado roteiro para palestrantes visitarem uma sequencia de cidades, com uma logística favorável e viável, envolvendo várias cidades, casas e datas. A quantidade de dias envolvidos depende da disponibilidade do palestrante e somente com a adesão de algumas ou várias casas (considerando as distâncias, os custos com deslocamentos, hospedagem e alimentação) é possível organizar. É um pouco trabalhoso, dado o ritmo das respostas de cada instituição, mas é uma tarefa muito prazerosa e só não organizamos uma quantidade maior desses roteiros, por falta de tempo mesmo, pois as providências demandam muitos cuidados na organização que seja prática, viável e facilitadora para todos os envolvidos.
Os retornos são sempre de entusiasmo e gratidão e nos trazem grande felicidade.
Destaco, todavia, um aspecto importante em sempre lembrado, mas real, que veio no depoimento de um dos palestrantes que ofereceu disponibilidade de domingo a sexta num determinado mês, proferindo sete palestras em diferentes casas e cidades, num percurso de 1.200 km, já incluída a volta à cidade de origem.
Relata o amigo:
“Uma coisa me chamou a atenção. Os centros de fato necessitam dessas palestras, não apenas por mudar um pouco o expositor, mas para não se sentirem isolados. Sentem-se parte da grande família espírita. A demonstração de afeto é muito sincera e efusiva. Nitidamente notamos a alegria deles em acolher-nos.”
Esta é uma grande realidade palpável que também encontro em minhas viagens. O carinho e cuidados com a recepção dos palestrantes. Seja pela visita – na maioria das vezes pela primeira vez –, seja por essa integração citada no trecho acima transcrito, unindo os esforços da casa anfitriã com o palestrante convidado.
Destaque-se que a palavra “cuidados” do parágrafo anterior envolve muitas providências, desde a atenção com a logística (distâncias, horários, localização, estacionamento, refeições, hospedagem, encontros, traslados em muitos casos, livros, lanches, contatos, entre outros itens). Esse acolhimento é vital para o bom êxito das tarefas. Essa preocupação com as providências com o “antes, durante e o depois” do compromisso demonstram respeito para com a atividade, que não é uma atividade fácil. Exige também do visitante muitas providências e igualmente cuidados pessoais e com a própria família. Há que se pensar em onde e como vamos receber o visitante. Não importa quem seja, não é pelo expositor, mas é pela pessoa humana e pelos esforços que todos vamos vivendo em favor de uma Doutrina que procura expressar amor em suas práticas.
Felizmente o movimento espírita absorveu bem essa questão. Nota-se bom planejamento e cuidados em toda parte, muito carinho realmente, mas é assunto a ser tratado sempre com atenção, para não perdermos o melhor que a prática de intercâmbio oferece: os aprendizados mútuos dessa magnífica interação, que a todos beneficia.
Digamos que é um evento a ser planejado, preparado e executado com competência.

