por Orson Peter Carrara.
Como sabemos, os espíritas, a Doutrina Espírita codificada, organizada teoricamente, foi apresentada por Allan Kardec, pseudônimo do ilustre professor Rivail, a partir de 1857, com a publicação de livros. Referidos livros, classificados como a CODIFICAÇÃO ESPÍRITA constituem a base sólida do pensamento espírita.
Os conteúdos disponíveis há quase dois séculos contemplam toda orientação para evitar-se as quedas ou seduções do fanatismo ou dos ridículos. Toda a lucidez pedagógica do Codificador oferece ao estudioso ou pesquisador farto material para estudar, compreender, refletir e orientar-se na genuína prática espírita, sem os perigos do comportamento “à moda da casa”.
O próprio Kardec, no primeiro parágrafo da Introdução de O Livro dos Médiuns, afirma categórico:
“Todos os dias a experiência nos traz a confirmação de que as dificuldades e os desenganos, com que muitos topam na prática do Espiritismo, se originam da ignorância dos princípios desta ciência (…)”.
Referido trecho, ainda que parcial, já é material para ampla abordagem e considerações, mas nosso destaque é para enfatizar que já não podemos alegar ignorância, face ao conteúdo claro, altamente didático, confortador e especialmente racional, que se encontra à disposição.
Por isso, a imperiosa necessidade da divulgação do livro espírita. A Codificação, por si só, de alto valor didático, doutrinário, cultural e moral, contido nas cinco obras fundamentais, já é um campo vasto. Mas ela desdobrou-se em fonte para muitas outras pesquisas de autores variados, encarnados e desencarnados, que também produziram e continuam produzindo livros e conteúdos outros, a partir da fonte original, inesgotável. O próprio Kardec também usou esse recurso com sua importante Revista Espírita.
Referida expansão do pensamento espírita, via divulgação através do livro, é fonte segura de conhecimento, quando advindo de autores sérios e reconhecidos, que abraçaram o compromisso de “mastigar” para o leitor aqueles conteúdos originais da Codificação em outras obras, com ângulos variados de análise – dada a diversidade de temas e direcionamentos, inclusive com a contribuição importante da ciência que avança, dos conhecimentos e experiências humanas que amadurecem – e, claro, levando-se em conta o estilo de cada autor.
Ressalte-se que os textos de Kardec são os mesmos da época da Codificação, originais e com as traduções variadas, mas o avanço da ciência e dos conhecimentos – como acima citado – ainda mais valorizam aqueles textos que fundamentam o Espiritismo, que não se desatualiza, já que não inventado ou imaginado, mas desdobramento natural das leis naturais, verdadeira síntese das Leis Divinas.
Temos, portanto, no livro espírita – a partir daqueles da Codificação aos que inesgotavelmente comentam e desdobram aquele conteúdo original – um tesouro de conhecimento, verdadeira riqueza moral e cultural, onde seus autores, que podemos chamar de “escavadores ou construtores de raciocínios”, multiplicam esse manancial que nunca se esgota e emana da mesma fonte natural.
Como ignorar isso? Como ficar indiferente ou mesmo omisso? Reconhecido esse valor, cuja dimensão de benefícios não conseguimos efetivamente medir com clareza, desponta inevitavelmente em nós um dever de atuar também na divulgação, seja como autor, seja como distribuidor, facilitador ou incentivador da leitura, do estudo, que as obras espíritas trazem ao coração humano.
Mergulhar em seus parágrafos e encontrar as pérolas, as expressões que se abrem, nas entrelinhas ou em trechos esquecidos ou não percebidos, é a função dos divulgadores. Vão percebendo o alcance das obras e colocam-se igualmente a serviço do bem, a servir para o Cristo, nosso “modelo e guia”, conforme ensina O Livro dos Espíritos.
Ficamos com o dever de destacar os livros, comentar sobre eles, incentivar a leitura ou estudo dessa ou daquela obra, despertando interesse para que mais pessoas conheçam aquilo que vamos conhecendo. Isso causa um efeito multiplicador, repleto de bençãos, que não podemos ignorar.
A propósito, concluímos com trecho parcial de Emmanuel (constante do livro Cura, cap. 10 – Divulgação Espírita): “(…) Ajuda a página espírita esclarecedora a transitar no veículo das circunstâncias, a caminho dos corações desocupados de fé, à maneira de semente bendita que o vento instala no solo devoluto e que amanhã se transformará em árvore benfeitora. Ampara o livro espírita em sua função de mentor da alma, na cátedra do silêncio. (…)”.
Note a expressão que o autor apresenta: compara o livro espírita em sua função de mentor da alma. Que linda e real comparação!
Engajemo-nos, pois, no incentivo e estímulo à leitura e ao estudo do Espiritismo, por meio do livro espírita.

