por Nubor Orlando Facure.
Se uma entidade imaterial é responsável pelos nossos pensamentos, pelos nossos atos, nosso comportamento e nossas escolhas, quero perguntar: seria possível uma confirmação da sua existência?
A posição dos materialistas permanece irredutível, por mais que tenha avançado nosso conhecimento sobre o cérebro.
Sua posição continua defendendo a proposição de que o cérebro cria a mente.
A Igreja, durante toda a Idade Média, insistia na crença de que tínhamos uma alma que presidia as ações do corpo e punia quem se desviasse desse postulado.
A genialidade do filósofo francês René Descartes abriu novos horizontes.
Em 1637, ele publicou o Discurso do Método, começando com a geometria para depois filosofar, renovando a ciência.
Descartes, sabiamente, criou o dualismo.
Não excluiu a alma, apenas compartilhou dois domínios em separado: um corpo e uma alma.
Res cogitans — mente e alma, a coisa pensante.
Res extensa — corpo e matéria, a coisa física.
A proposta permitiu o estudo do corpo sem prejuízo da alma.
Escancarou os horizontes da ciência médica, em particular, esmiuçando a anatomia dos nossos órgãos e suas funções.
Em torno dessa época, estudos expressivos mudaram por completo nossa visão sobre o corpo humano.
André Vesalius dissecou minuciosamente o cadáver humano, ilustrando os movimentos musculares. Seu livro De Humani Corporis Fabrica (1543) é uma obra de arte.
Dar autonomia aos músculos era uma provocação ao conceito espiritualista da Igreja.
William Harvey comprovou a contração do coração, impulsionando o sangue e causando a circulação sanguínea.
Ele escreveu: Estudo anatômico sobre o movimento do coração e do sangue nos animais (1628), publicado em Londres.
Era inaceitável atribuir essa capacidade como propriedade do coração.
Franz Gall apontou segmentações no crânio, às quais atribuiu funções mentais particulares.
Criou uma pseudociência — a Frenologia (1804).
Publicou seu texto no livro On the Functions of the Cerebellum.
Estava fragmentando o espírito, contrariando o pensamento religioso.
Todos esses brilhantes pesquisadores sofreram com o peso das mãos da Igreja da época, sendo obrigados a se precaver.
Mas, afinal, podemos hoje analisar os fenômenos corpo e mente em separado?
Sem nos aprofundar, vamos apontar algumas observações.
Primeiro, sobre a “independência” do corpo:
Um paciente sofre, subitamente, um ataque epiléptico.
O corpo todo se convulsiona em contrações musculares.
É certo que, nesse momento, jamais estaria um espírito prisioneiro desses abalos violentos.
O espírito se afasta enquanto ocorrem no corpo as contrações musculares; o cérebro se obscurece, os esfíncteres relaxam e a respiração se altera.
O espírito dá ao corpo a energia vital, mas várias estruturas funcionam de maneira autônoma.
Felizmente, um coração nunca para de bater por ordem do espírito.
Grande parte dos desejos do corpo exige que o espírito puxe o freio de mão para se conter.
Agora, vamos falar sobre a “independência” do espírito:
A literatura médica já registrou uma grande quantidade de ocorrências espirituais “fora do corpo”.
Muitos de nós já tivemos sonhos lúcidos.
Outros relatam experiências fora do corpo, deslocando a consciência para outros espaços, sem o acompanhamento do corpo físico.
Há relatos de experiências de quase morte, com testemunhos de observações do ambiente médico onde estavam.
Existem ainda evidências de reencarnação, com farta documentação confirmando esses casos.
Testemunhos experimentais:
É possível, sim, dissociar a fisiologia do corpo e do espírito.
É o fenômeno chamado por Allan Kardec de “emancipação da alma”.
Ele é produzido no decorrer do transe sonambúlico, que pode ocorrer em duas situações: espontâneo (natural) ou provocado, obtido por meio da indução hipnótica.
Ao ocorrer a emancipação da alma, ela revela dispor de competências que ampliam suas percepções, transitando no espaço do domínio espiritual.
Lição de casa:
Dizia um poeta:
“O coração é um músculo que não obedece às decisões do espírito.
Ele me faz sofrer, mesmo quando não posso amar essa mulher.”
Informação do ChatGPT:
Gilbert Ryle (1900–1976) foi um influente filósofo britânico, famoso por sua crítica ao dualismo cartesiano.
Em sua obra principal, O Conceito de Mente (1949), cunhou a expressão “fantasma na máquina” para ridicularizar a ideia de que a mente é uma entidade imaterial separada do corpo.

