Por Michael Colmer.
Há alguns anos, os longas-metragens produzidos em Hollywood têm se aproximado cada vez mais das crenças difundidas pelos espiritualistas. Um marco importante foi, talvez, o filme “Ghost – Do Outro Lado da Vida”; mais recentemente, surgiram obras como “O Sexto Sentido” e outras do gê-nero. O lançamento mais recente, que chega este mês, intitula-se “21 Gramas” e baseia-se no trabalho do médico norte-americano pioneiro Dr. Duncan MacDougall, que, na virada do século XIX para o XX, tentou medir o peso de nossas almas.
Apesar de ter recebido duas indicações ao Oscar e cinco ao BAFTA — além de contar com Sean Penn, um ator de grande apelo comercial, no papel principal —, o filme talvez não deixe uma marca duradoura. A crítica norte-americana recebeu a obra, lançada no final do ano passado, com pouco entusiasmo.
Descrito como um “melodrama enfático”, o enredo gira em torno de uma viúva — ex-dependente química em processo de recuperação — que se envolve com um professor de matemática melan-cólico, portador de uma doença cardíaca terminal. Se acrescentarmos a isso a presença de um ex-presidiário convertido ao evangelicalismo, que aterroriza sua esposa e seus dois filhos com um fervor religioso intenso, fica claro que não se trata exatamente de um filme “alto-astral”. Portanto, não é de surpreender que, logo após o lançamento nos cinemas do Reino Unido, o filme já esteja disponível em formato DVD.
O aspecto relevante deste filme é que ele resgata experimentos — hoje praticamente esquecidos — realizados em 1907 pelo Dr. MacDougall, de Haverhill, Massachusetts, com pacientes em estado terminal. Tais estudos foram publicados, à época, na revista científica “American Medicine”.
O Dr. MacDougall propôs-se a investigar “se as funções psíquicas continuam a existir como uma personalidade distinta após a morte do cérebro e do corpo”. Para isso, ele construiu uma cama especial em seu sanatório, “montada sobre uma estrutura leve e equilibrada em balanças altamente sensíveis”, capazes de medir frações de uma onça (unidade de medida de peso = 28,35 g).
Ele obteve a colaboração de seis de seus pacientes terminais: um diabético, dois com tuberculose e um outro, cuja condição não foi especificada. Ele, então, propôs-se a observá-los em seus está-gios finais de partida deste mundo, fazendo anotações minuciosas. “O conforto de cada paciente era assegurado de todas as formas.” Um dos pacientes encontrava-se, segundo os registros, “pra-ticamente moribundo” ao ser colocado na cama especial. “Ele perdia peso lentamente, à taxa de uma onça por hora, devido à evaporação do suor.”
“Ao final de três horas e 40 minutos, ele faleceu; no exato momento da morte, a extremidade da cama baixou, registrando uma perda de peso inexplicável de três quartos de onça.” Perdas de peso semelhantes, variando de meia onça a uma onça, ocorreram no momento do falecimento de outros pacientes terminais que ele acompanhava. Contudo, o Dr. MacDougall permaneceu perplexo diante de suas medições. Ele investigou todas as outras causas possíveis para o fenômeno — desde a evacuação da bexiga e do intestino até a presença de ar residual nos pulmões —, mas não encon-trou nenhuma explicação médica. Ele repetiu o experimento com quinze cães, mas não obteve resultados semelhantes ou inexplicáveis.
Quando suas descobertas foram publicadas, outros médicos zombaram dele e o criticaram dura-mente. MacDougall, porém, manteve-se fiel à sua pesquisa, embora reconhecesse que, para
satisfazer a comunidade médica, tais experimentos precisariam ser repetidos em maior escala. Por volta de 1911, ele voltou sua atenção para os raios X, testando a teoria de que a alma humana poderia ser fotografada.
Hoje — quase 100 anos depois —, poucos pesquisadores (se é que houve algum) tentaram repetir os experimentos do Dr. MacDougall; ele nos deixou, contudo, um legado que Hollywood aproveitou para a criação de um filme.
Talvez a próxima incursão de Hollywood pelos dois mundos do Espiritismo, em busca de inspiração heroica, venha a abordar o sofrimento dos médiuns de materialização.
Fonte: The Spiritist Messenger, 12º ano, número 53, agosto de 2004
Colaboração: Antonio Mattos

