por Orson Peter Carrara.
O texto, composto de apenas três itens (8, 9 e 10), está no capítulo 28 de O Evangelho Segundo o Espiritismo e com o subtítulo Pelos Médiuns (dentro do título geral: I – Preces Gerais). Dada a perfeita didática, tão comum nos escritos do Codificador, dividimos aqui em subtítulos grifados.
Voz dos Espíritos – Por determinação divina e até como sinais dos tempos, os espíritos comunicam-se – por meio de médiuns de todas as nacionalidades, raças, idades e condições – para provar a imortalidade e instruir os homens. Nas condições referidas também estão presentes os diversos graus de instrução e moralidade, pedindo discernimento na análise.
Mediunidade – de vinculação orgânica, permite interação com o mundo invisível, realidade de todos nós como seres imortais. É o meio de comunicação, exigindo conhecimento para bom uso e prática. A instrução didática, indispensável, está em O Livro dos Médiuns.
Médiuns são intérpretes – Eles são o canal de comunicação, sejam ostensivos ou intuitivos. Mas exercem muita influência sobre o conteúdo transmitido. Sua moralidade e conhecimento são de fundamental importância para o critério da confiabilidade. A propósito, escrevemos matéria específica com o título Meros intérpretes.
Mandato mediúnico é grave – Mediunidade é canal de instrução e orientação, não instrumento de diversão ou exploração de qualquer espécie ou satisfação de ambições. Referida compreensão é fruto da maturidade trazida pela vivência séria, reflexão continuada no estudo perseverante e comprometida com o bem.
Boa direção na própria faculdade mediúnica – Os que ignoram ou desprezam o estudo sério e continuado sobre as próprias faculdades e sua finalidade, são mais nocivos do que úteis à Causa do Espiritismo. Justamente pela má impressão que produzem, afastando ou retardando compromissos de terceiros que foram influenciados pelos maus exemplos.
Para conservar a assistência dos bons espíritos – Ostensivos ou intuitivos, todos devemos trabalhar pelo próprio crescimento moral, afastando-nos de tudo que nos desvie do objetivo providencial do Espiritismo que é nossa melhora moral. Os bons espíritos se retiram quando encontram corações endurecidos e voltados para objetivos que não correspondem ao bem.
Sinal incontestável do afastamento dos bons espíritos – Reconhece-se pelo declínio ou perda da própria faculdade, caindo nos extremos do fanatismo e do ridículo, quando não se aproveita os ensinos recebidos.
Faculdade estéril – Sem conhecimento, sem uso para o bem, sem humildade e valores morais a mediunidade pode abrir caminho para uma obsessão perigosa, tornando-se inútil em sua finalidade.
Fujamos da vaidade – Ostensivos ou intuitivos, dispensemos a vaidade compreendendo que a mediunidade é faculdade que pode inclusive ser suspensa. Críticas ou elogios devem ser utilizados como instrumentos de autoavaliação.
Preciosidade no modelo de prece (item 10), que transcrevo na íntegra:
10. Prece. — Deus onipotente, permite que os bons Espíritos me assistam na comunicação que solicito. Preserva-me da presunção de me julgar resguardado dos Espíritos maus; do orgulho que me induza em erro sobre o valor do que obtenha; de todo sentimento oposto à caridade para com outros médiuns. Se cair em erro, inspira a alguém a ideia de me advertir disso e a mim a humildade que me faça aceitar reconhecido a crítica e tomar como endereçados a mim mesmo, e não aos outros, os conselhos que os bons Espíritos me queiram ditar. Se for tentado a cometer abuso, no que quer que seja, ou a me envaidecer da faculdade que te aprouve conceder-me, peço que ma retires, de preferência a consentires seja ela desviada do seu objetivo providencial, que é o bem de todos e o meu próprio avanço moral.
É ou não é uma página preciosa? Para ser divulgada, comentada, estudada.

