Uma experiência de projeção astral (Viagem didática) – Parte 3 – Final

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por Roberto Billo.

 

Nesta parte, além de contar o que aconteceu quando vi o Ettore pela terceira vez, explico também porque eu havia escrito que foram necessários vinte anos para compreender e resolver tudo o que aconteceu naquele distante mês de maio 2005.

Como toda segunda-feira, fazemos o Evangelho no Lar e, às vezes, além de “sentir” várias presenças, eu também recebo mensagens. Numa noite, porém, já no fim do ano passado, senti uma presença muito particular, muito forte e profundamente ligada a mim e a nós. Eu não sabia se chorava ou se me alegrava. Foi uma tempestade de emoções, tão intensa que fiquei com a cabeça girando por um tempo. Tive de fazer esforço para permanecer calmo e não preocupar minha esposa e minha sogra, porque eu estava vendo o Ettore novamente — vendo de fato, algo absolutamente raro. E eu sentia, outra vez, aquela estranha sensação de tempo suspenso. Naquele momento, ele me disse que tinha vindo nos cumprimentar. Observei que ele continuava vestido do mesmo jeito, e ele explicou que isso fazia parte de uma forma de ser reconhecido rapidamente. Eu respondi que, de todo modo, acredito que o reconheceria.

Houve um momento leve, quase um sorriso, e então ele disse que nossos corações ainda estavam em tumulto, e que desejava que se acalmassem e se enchessem de alegria. Eu agradeci, mas respondi que, como seres humanos, aquilo que ele nos desejava era algo muito difícil. Ele disse que compreendia perfeitamente e que estava ali justamente por isso.
Eu disse que nem sabia como agradecer por ele estar ali, e ele respondeu que era um dever, porque gostaria de nos contar o que realmente havia acontecido, para além dos sentimentos humanos. Pedi que, por favor, ele não desaparecesse antes de terminar, e ele respondeu com leveza que não.
Então ele explicou que sua missão era, sobretudo, contribuir para corrigir procedimentos médicos e favorecer a implementação de novos cuidados, medicamentos, terapias e coisas desse tipo. Disse que fazia isso nascendo, como no nosso caso, de forma prematura, e encerrando tudo em poucos dias. O impacto era tão forte que, depois, novas práticas e terapias acabavam sendo implementadas. Eu lhe disse que isso era belíssimo, mas que nós havíamos sofrido muito. Ele pediu desculpas por isso e disse que não existe outro modo; que nem ele fazia isso de coração leve. Disse também que é muito difícil para ele, tanto que a parte mais importante — escolher os casais que eles sabem que conseguem suportar uma experiência assim — ele não pode fazer sozinho, e por isso recebe assistência. Acrescentou que, no nosso caso, em vez de entrarmos em crise, seguimos adiante ainda mais unidos, e que hoje temos uma joia chamada Sofia. Eu perguntei, então, se isso significava que ele realizava esse tipo de “missão suicida” continuamente. Ele respondeu que, sim, se quisermos chamar assim, podemos; que não é fácil, mas que, ao preço de uma dor, poupam-se muitas outras, além de ajudarem no avanço geral da humanidade.
Perguntei se, então, não estava previsto que tivéssemos aquele filho, mas sim que fôssemos parte ativa desse processo de avanço. Ele confirmou e acrescentou que, pelo menos agora, poderíamos considerar que não o havíamos perdido, e que tudo o que aconteceu tinha uma razão — uma razão bela, que um dia compreenderíamos completamente. Ele me pediu que eu relatasse tudo à Monica, dizendo que isso acalmaria o coração dela, ajudaria a compreender muitas coisas e lhe daria um passo adiante. Eu disse que ela gostaria de vê-lo. Ele respondeu que a emoção seria forte demais e que, de qualquer forma, ela não poderia. Perguntei por que, e ele disse que não faltava muito para que ela não precisasse mais voltar à Terra, e que, neste período, a mediunidade lhe causaria mais confusão do que ajuda. Então perguntei: se desta vez eu o vi, isso queria dizer que eu ainda voltaria muitas vezes aqui à Terra? Ele respondeu que sim, mas sempre por objetivos precisos, e acrescentou que há coisas que eu fiz e que ainda não posso perceber plenamente, mas que mudaram para melhor a vida de muita gente — inclusive o fato de que ele e eu já havíamos combinado isso muitos anos terrestres atrás. Eu quase sem palavras lhe agradeci muito, porque compreender os acontecimentos é fundamental para mim. Ele então agradeceu a nós e disse que, nesse momento, estava planejando outra missão; por isso decidiu aproveitar para me explicar o ocorrido. Disse que era ele quem nos agradecia e concluiu que nos veríamos novamente dali a alguns anos. Antes de ir, perguntei por que ele havia escolhido se vestir daquela forma, porque ele não parecia alguém de um tempo tão distante — eu reconhecia ali uma moda relativamente moderna. Ele respondeu que decidiu manter aquela vestimenta porque era assim que se vestia quando havia decidido realizar essas missões. Eu comentei que ele parecia um médico do início do século XX, e ele confirmou. Então eu lhe desejei boa sorte, e ele respondeu dizendo que nos abraçava com muito carinho e que era muito grato. Despedimo-nos, e ele desapareceu da mesma forma como havia aparecido.

O problema foi que a Monica percebeu que eu provavelmente tinha entrado numa espécie de transe — algo que só me aconteceu raríssimas vezes. Assim, quando voltei a mim, eu não sabia por onde começar: como contar uma coisa dessas para uma mãe? Tomei coragem e comecei dizendo que eu havia recebido uma mensagem de alguém que escolheu, pelo menos por enquanto, realizar missões uma atrás da outra, geralmente de curta duração, para ajudar a mudar as coisas — como acontece com crianças que estão em tratamento. Naquele momento, o olhar dela me fez entender que ela já tinha compreendido, em linhas gerais, o que havia acontecido. Ela me pediu que eu fosse mais claro, e então eu lhe contei o diálogo — como eu conseguia lembrar, porque eu posso até ser forte e preparado, mas sou um ser humano, e estava completamente abalado. Mas há um detalhe curioso: a “nossa” missão tinha se concluído em 2005, e esse contato aconteceu em 2025! Bem, em resumo, este foi o último contato com o Ettore.
Um filho, um vínculo emocional fortíssimo, mas, acima de tudo, um espírito que segue o seu próprio caminho.

OBS: Relato solicitado pelo GeaE.

Escrevo tudo isso a você (Editor-gestor do GeaE) de coração aberto e com toda franqueza. Não acrescentei nada e espero ter me lembrado de tudo. Uma emoção muito forte pode alterar a lembrança, mas, em linhas gerais, se separarmos a essência dos fatos da forma como os contamos, podemos compreender que uma pessoa é um espírito que escolhe o próprio caminho e, embora o laço emocional entre pais e filhos seja incalculavelmente forte, precisamos respeitá-lo, pois, ao fazer isso, também respeitamos a nós mesmos.

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