por Nubor Orlando Facure
Neurologia popular – 1
Cada amor tem seu encanto e seu sabor.
Não há como copiar e colar.
Cada paixão tem seu preço e sua culpa.
Nem sempre dá para resgatar.
Deixe a vida maturar.
Amor e paixão não se colhem sem o tempo amaciar.
Seus sonhos estão mais dentro de você do que fora.
Suas decisões dependem mais dos outros do que das suas escolhas.
Neurologia popular – 2
O hipocampo é uma área primitiva relacionada às nossas memórias.
Bem próximo a ele, temos áreas do gosto e da mastigação.
Alguém já disse que estudar mascando chicletes melhora o aprendizado.
Mastigar ativa o hipocampo
e pode trazer à tona a satisfação de coisas gostosas que já comemos.
Por isso, há jantares inesquecíveis.
Neurologia popular 3 – os neurônios
Com a introdução do microscópio, Marcello Malpighi, médico italiano, em 1653, pôde observar células no cérebro, que chamou de glóbulos.
Mas o termo neurônio só foi criado muito tempo depois, pelo cientista alemão Waldeyer, em 1873.O médico italiano Camillo Golgi, usando uma tintura de prata, conseguiu colorir isoladamente os neurônios, permitindo enxergar seus diversos formatos.
Golgi recebeu o Prêmio Nobel em 1906.O espanhol Ramón y Cajal, utilizando as técnicas de Golgi, verificou que os neurônios são células de formato muito variado e individualizadas.
Não há continuidade entre elas, como propunha Golgi.
A pequena fenda entre um neurônio e outro foi denominada sinapse, termo escolhido pelo fisiologista inglês Sherrington em 1897.
É nesse espaço que ocorre uma intensa atividade química, quando um neurônio estimula os vizinhos por meio de neurotransmissores.
Cajal recebeu o Prêmio Nobel junto com Golgi, em meio a grande animosidade entre eles.
Nas terminações dos axônios acumulam-se vesículas cheias de neurotransmissores.
Quando o neurônio é estimulado, a entrada de cálcio abre essas vesículas, liberando as substâncias do seu interior.
Os neurotransmissores atravessam a fenda sináptica e atingem os “portões” receptores dos neurônios vizinhos.
Assim, de um neurônio para outro, o estímulo progride.Cada neurônio libera apenas um tipo de neurotransmissor.
Já foram descritos cerca de 100 neurotransmissores, sendo os mais conhecidos a adrenalina, a noradrenalina, a serotonina, a dopamina, o glutamato e o GABA.Um mesmo neurônio pode produzir efeitos diferentes, conforme o neurônio vizinho que estimula, mesmo liberando sempre um único neurotransmissor.
Quando estimulado por um neurotransmissor, o neurônio pode aumentar sua árvore de dendritos e criar novos receptores nas sinapses.
Isso amplia os contatos com um número maior de neurônios vizinhos, formando redes mais complexas
— um dos fundamentos do aprendizado.Cada cérebro acolhe os estímulos que buscamos por escolha própria.
Podemos ouvir uma boa música, assistir a uma aula agradável, cantar, dançar, escrever um recado, ler um bom livro ou saborear um sorvete.
Comportamentos e sensações são registrados nos neurônios e interpretados na mente.
As sensações são captadas pelo corpo, projetadas no cérebro e interpretadas pela mente.
Quando o estímulo atinge o neurônio, seu núcleo constrói proteínas com o RNA, que são levadas aos retículos endoplasmáticos, como o retículo de Nissl, situados no citoplasma.
Nesses retículos, a “receita” é ajustada para construir receptores (“portões”) nos terminais sinápticos.
Cada “portão” pode abrir ou fechar para o neurotransmissor correspondente.
Isso significa que, ao escolhermos determinados estímulos, estamos modificando a estrutura dos nossos neurônios.
Assim, os neurônios de cada um de nós são moldados pelas nossas escolhas.
Em uma experiência clássica, o psicólogo canadense Donald Hebb, em 1949, mostrou que neurônios que se estimulam repetidamente tendem a permanecer conectados.
Com a repetição, estímulos mais fracos passam a gerar resposta, estabelecendo uma via de transmissão.
Esse princípio mostra que a repetição fortalece as conexões e favorece o aprendizado.Nessa mesma linha, Eric Kandel descobriu que um neurônio inicialmente fica mais sensível ao estímulo, mas depois desenvolve habituação.
Como se “acostumasse”, passa a responder menos aos estímulos repetidos.
Essa dinâmica faz parte da fisiologia do aprendizado.
Kandel recebeu o Prêmio Nobel em 2000.A italiana Rita Levi-Montalcini, também laureada com o Nobel em 1986, descobriu o fator de crescimento neural, uma substância que promove o desenvolvimento dos neurônios e de seus dendritos.
Ela trabalhou durante nove anos no Brasil.Após o nascimento, ocorre a morte de grande número de neurônios, permitindo a organização do cérebro adulto.
Alguns precisam ser eliminados para que outros se desenvolvam melhor.
Após a juventude, os neurônios só morrem em maior número em doenças como o Alzheimer.
Hoje sabemos que eles permanecem ativos na velhice, embora com menos conexões.Neurônios-espelho
Em 1999, na Universidade de Pádua, pesquisadores observaram que áreas motoras do cérebro de um macaco eram ativadas tanto quando ele executava um movimento quanto quando apenas observava outro animal fazê-lo.
Esse fenômeno ajuda a explicar a empatia que sentimos ao observar as ações ou o sofrimento de outra pessoa.
Lição de casa
A gigantesca população de neurônios que recebemos como dádiva da natureza inaugura nossa vida mental com um padrão inicial.
A primeira lição do bebê humano é o aconchego e a sobrevivência.
A partir daí, somos envolvidos pelos estímulos do ambiente, aprendendo a fazer escolhas.
E o resultado final dessas escolhas nos dará uma identidade própria — de inteira responsabilidade nossa.

