Uma experiência de projeção astral (Viagem didática) – Parte 2

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por Roberto Billo.

II

Três anos depois, desta vez em São Paulo, eu o vi se materializar durante uma palestra em um Centro Espírita. O interessante é que, sem eu dizer nada, o instrutor, ao terminar, me falou que estava mais cansado do que o normal porque tinha sentido energia “fluir para fora” do corpo. Eu, portanto, expliquei tudo; ele ficou muito feliz, e eu muito surpreendido.

Mesmo assim, eu ainda não estava totalmente convencido e buscava provas mais “tangíveis” — não “efeitos especiais”, como eu chamava esses tipos de fenômenos na época.

E então, no ano seguinte, perto do final do curso de mediunidade…

Estávamos todos sentados e relaxados. A diretora da reunião tinha terminado de nos guiar, e cada um estava “navegando” por si, naquele estado mental particular.

Dentro daquele estado, ainda havia em mim uma parte consciente que queria que acontecesse algo realmente marcante.

E então eu ouvi uma voz firme, que me disse diretamente que a gente iria “dar uma voltinha”, para eu parar de me fazer perguntas sem sentido; que eu não precisava me preocupar e que seria uma viagem instrutiva.

Percebi uma mão firme no meu ombro, e me senti puxado para cima a uma velocidade tão alta que eu não saberia descrevê-la.

Cheguei a um lugar e me “materializei” num espaço que parecia um auditório (como uma aula magna) em preparação para uma conferência. Havia também uma grande sala de descanso, e uma sala enorme cheia de livros e de pessoas lendo e estudando: alguns sentados nas mesas, outros caminhando, outros nos sofás. Todos reconheciam a minha guia: cumprimentavam, abraçavam, e davam parabéns também para mim.

Pedi para esclarecer a minha sensação que aquele lugar ficava “acima” do centro espírita de onde eu tinha partido. Estava certo, me disseram que, em geral, cada centro espírita está ligado a um lugar semelhante.

Voltando para o hall, a minha guia me avisou que iríamos a um lugar ainda mais evoluído: uma “visita extra”, um brinde. Disse que eu certamente não entenderia aonde chegaria nem o que veria, porque estaria fora da minha capacidade de compreensão, mas que era um presente que eu teria que guardar na memória e que um dia se conectaria aos meus conhecimentos.

Senti novamente a mão pousar sobre o meu ombro e, imediatamente, tive a sensação de estar levemente inclinado, viajando pelo espaço e observando as estrelas passarem muitos rápidas, como se a minha velocidade estivesse além do que conseguimos imaginar. Eu tive a impressão de que, desta vez, a viagem durou muito, muito mais do que a anterior: estávamos indo muito longe.

Em algum momento, de algum modo, eu entendi que havíamos chegado. Repetiu a recomendação: não se preocupar com nada; apenas observar e memorizar, sem me fazer perguntas e, sobretudo, sem fazer perguntas. As respostas ainda estariam muito além da minha capacidade de entender.

Senti como se eu surgisse do chão dentro de uma sala imensa, que eu compararia a um hemisfério, como um planetário. Tudo era claro, iluminado por uma luz onipresente que não vinha de nenhum ponto específico.

A parede circular, como num planetário, a uma certa altura havia uma estrutura que corria por toda a circunferência: parecia um corrimão gigante, metálico. Nessa estrutura estavam presas formas como ovos, transparentes, dentro das quais havia “fumos” coloridos em turbilhões, que se misturavam sem se fundir completamente.

Na verdade, eu não saberia dizer se eram recipientes com uma espécie de membrana contendo algo dentro, ou se aqueles fumos densos e coloridos eram mantidos ali por algum tipo de campo de força.

O tamanho, que era mais uma sensação — eu não tinha referências —pareciam ter entre um e dois metros de altura. Era fascinante, e eu estava muito feliz por estar vivendo aquilo. As paredes brancas do hemisfério, a luz difusa sem fonte identificável, aquele anel cromado, os “ovos” presos ao anel, e os ovos cheios de cores em movimento… eu estava completamente absorvido.

Eu contei vinte ovos e tinha percorrido aproximadamente um quarto do círculo, mas assim que comecei a contá-los, a mão ficou firme novamente sobre o meu ombro e a voz disse que era hora de ir.

Voltei para aquela estranha inclinação do meu corpo, e começou a viagem de retorno, que eu percebi ser extremamente mais rápida do que as anteriores. Uma sensação de tempo muito menor que as duas viagens anteriores somadas.

Voltei a mim ouvindo a voz da diretora da reunião dizendo que tinham se passado dez minutos e que era melhor parar para não exagerar logo do início. Eu fiquei muito impactado com a diferença entre o tempo “vivido” e o tempo medido pelo relógio.

Dez minutos era pouco demais: para descer as escadas de um auditório, falar com pessoas que estavam colocando flores no palco, subir de novo conversando com outras pessoas, trocar cumprimentos e conversar um pouco naquela sala que eu chamaria de biblioteca… teria que ter passado muito mais tempo. E não só isso: também o tempo das viagens e a permanência naquele “planetário” com os ovos…

Eu estava tão pensativo que todos perceberam que algo tinha acontecido, mas eu nem sabia por onde começar a explicar: eu estava confuso. A diretora disse que eu deveria refletir com calma sobre o que quer que tivesse acontecido e que estaria pronta para me ouvir.

Um dia, eu abri um livro — cujo título eu não lembro — e encontrei uma imagem que ilustrava uma hierarquia onde havia desenhos de ovos. Eu não saberia descrever a emoção.

P.S. O Ettore, como nós o chamamos, se manifestou outras vezes. Por fim, na última, sabendo que nós já estávamos preparados, ele nos disse que aquela era a missão dele: nascer prematuro ou com problemas gravíssimos para forçar mudanças nas práticas médicas. A maior dificuldade, explicou, era escolher os casais que conseguiriam resistir a uma experiência desse tamanho.

Ele se desculpou muito pelo que nós sofremos, mas disse que deveríamos lembrar que ele ainda estava conosco e que, indiretamente, nós tínhamos ajudado outros bebês e outros pais. Deveríamos nos sentirmos, de algum modo, “recompensados”.

Infelizmente, não era possível compreender isso logo de início: seriam necessárias uma preparação profunda e uma estrutura emocional mais madura, que, com o tempo, foram-se fortalecendo com a idade. Levaram-se vinte anos “terrestres”.

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