Nossas Crenças

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por Nubor Orlando Facure.

 

1 – Nossa mente interpreta o mundo a partir de suas próprias crenças.
É assim que interpretamos o medo do nosso avião cair; não importa que, estatisticamente, seja um evento raro.
A ignorância do caboclo da roça é aceita de pronto.
A preguiça do baiano é famosa.
O silêncio dos mineiros é esperteza disfarçada.
A inteligência masculina é imposta.
A fragilidade das crianças é verdadeira.

2 – Nossas crenças iniciam-se a partir de uma construção cultural.
Na tradição religiosa, as crianças são batizadas, crismadas e depois fazem a primeira comunhão.
Por muitos anos, a mulher que aprendia a ler e escrever já podia ir trabalhar ou aguardar o casamento.

3 – O aprendizado cultural, a partir da infância, poderá nos acompanhar para sempre.

4 – Experiências novas, mudanças significativas no meio ambiente, poderão acrescentar um novo conteúdo em nossas crenças.

5 – O casamento, o nascimento de um filho, o curso na faculdade, a imigração para outro país, a perda de entes queridos, doenças impactantes, mudança de religião, acrescentam novas crenças, mas permanece um resíduo cultural que trai nossas origens.

6 – Os antigos guardavam um preguinho torto ou uma fechadura velha porque imaginavam que um dia lhes dariam uma utilidade. Eram claramente utilitaristas.

7 – Nos dias de hoje, tudo é descartável. Até nossos sentimentos e nossos relacionamentos. O comportamento do nosso jovem de hoje é claramente consumista.

8 – André Luiz, na psicografia de Chico Xavier, nos fornece uma lição importantíssima no livro Entre o Céu e a Terra (1945).
Descreveu um drama que envolve alguns personagens, e entre eles o enfermeiro Mário Silva.
Ele trabalha num hospital, onde conquistou muita simpatia pelo amparo que dá às crianças ali internadas.
Certa ocasião, o enfermeiro não compareceu ao serviço por não estar se sentindo bem.
Isso causa surpresa no hospital, alertando a chefia de enfermagem.
Quando André Luiz e seu orientador, Clarêncio, vão até a casa de Mário, surpreendem-se ao vê-lo amparado carinhosamente pelo espírito de uma freira, também membro da enfermagem do hospital.
Ela fala do apreço que as irmãs têm por ele no hospital e que a designaram para ir até ele e ver como ajudar.
É interessante ouvir tudo o que ela expõe em termos de valores morais, de interpretações sobre o significado do seu trabalho, mostrando claramente as crenças que mantinha e os mesmos princípios que aprendeu com a Igreja Católica quando ainda encarnada.
Na espiritualidade, mantinha suas crenças na Justiça Divina e no nosso destino após a morte, exatamente as mesmas de quando era encarnada.

9 – Galileu iniciou a experimentação científica há 400 anos.
A ciência, até agora, não foi suficiente para suprimir crenças falsas.
Ela produziu afirmações inquestionáveis, mas algumas são de difícil compreensão para contestar o senso comum, que forma a base das nossas crenças.
Uma bola de papel e outra de vidro caem ao mesmo tempo da Torre de Pisa.
A luz incide sobre a latinha de cerveja e reflete em minha retina.
A partir daí, o impulso dessa energia percorre o nervo óptico, permitindo ao meu cérebro construir uma representação imaginária sobre esse objeto.
Para que eu compreenda o mundo, eu tenho de representá-lo em minha mente.

10 – A medicina antiga é repleta de crenças que perduraram por séculos.
Galeno ensinava que o sangue circula pelas veias e não pelas artérias.
As artérias eram percorridas pelo Pneuma Vital, que, a partir do coração, seguia até a Rete Mirabilis no cérebro, onde era transformado em Pneuma Animal.
Por muitos séculos, acreditou-se que doenças eram causadas por castigo de Deus.

Lição de casa
A maioria dos nossos conflitos ocorre por dificuldades em aceitarmos as crenças dos outros quando são diferentes das nossas.
Os protocolos de investigação psiquiátrica precisam acrescentar um questionário sobre nossas crenças. Elas informam mais sobre quem somos e sobre as escolhas que fazemos.

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