por Nubor Orlando Facure.
Crenças falsas
São percepções falsas da realidade.
Permanecem como ideias fixas.
Não desaparecem com uma argumentação lógica.
São muito firmes, não mudam mesmo com provas em contrário.
Costumo dizer que o que está dentro da cabeça não sai pelo ouvido.
São organizadas por tipo de apresentação clínica.
Delírios de perseguição
“Estão me seguindo para me matar.”
“Meus vizinhos colocaram câmeras escondidas na minha casa.”
“O governo escuta todas as minhas conversas.”
“Meu chefe faz tudo para me prejudicar.”
Delírios de grandeza
“Sou um dos escolhidos de Deus.”
“Tenho poderes especiais para curar pessoas.”
“Sou mais inteligente que todos os cientistas do mundo.”
“Minhas descobertas vão mudar a medicina.”
“Sou o único que ainda não errou.”
“Sou o melhor político da região.”
Costumo dizer que a gente enlouquece com o que tem dentro da cabeça.
Hoje em dia, ninguém delira mais com Joana d’Arc ou Napoleão.
Delírios de referência
“A moça da TV está falando comigo.”
“As pessoas na rua riem porque sabem de algo sobre mim.”
“Ele está sempre me olhando.”
“Ela vive me dando bola.”
Delírios somáticos (corporais)
“Meus órgãos estão apodrecendo.”
“Tenho um inseto vivendo dentro do meu corpo.”
“Meu coração parou, mas continuo vivo.”
“Sinto abelhas circulando nas minhas pernas.”
Delírios de ciúme (síndrome de Otelo)
“Meu esposo está me traindo.”
“Vejo no seu olhar que ele tem outra.”
“Ele troca olhares secretos com estranhos.”
“Está sempre olhando para as mocinhas.”
Delírios erotomaníacos
“Aquela cantora está apaixonada por mim.”
“Ela me manda sinais secretos de amor.”
“Ela deixa mensagens no meu celular.”
Delírios de culpa ou ruína
“Sou responsável por toda essa tragédia.”
“Arruinei a vida de todos, mereço punição.”
Delírios niilistas (síndrome de Cotard)
“Estou morto.”
“Nada existe, nem eu.”
“Meus órgãos desapareceram.”
Um resumo:
Precisamos deixar claro que delírio não é uma simples opinião,
uma crença religiosa compartilhada, uma expressão cultural,
nem mesmo um erro de julgamento comum.
É uma crença patológica, fixa,
uma interpretação falsa e desconectada da realidade.
É um fenômeno clínico.
Não é específico de um diagnóstico ou de uma única síndrome.
Os delírios são comuns em quadros como esquizofrenia, bipolaridade, transtornos delirantes, demências, depressão psicótica, estados confusionais, trauma craniano, abuso de álcool ou drogas.
Exemplos clínicos de delírio
1 – Dona Anita grita desesperadamente.
Reclama para os filhos:
“Quero ir para minha casa.”
“Não me prendam aqui.”
“Por que não me levam para o meu quarto?”
“Quem é essa gente que mexe comigo?”
2 – Seu Oswaldo geme o dia todo.
Pede remédio insistentemente para dor.
“As costas doem.”
“A cadeira machuca.”
“Onde está minha esposa?”, grita gesticulando.
“Quem é essa mulher que está conversando com ela?”
“O que minha mulher foi fazer lá na rua?”
3 – Seu Júlio já não dorme há duas noites.
Recusa alimentar-se.
Está trêmulo,
com as mãos sem força.
“Onde o Júnior escondeu o meu dinheiro?”
Ele precisa falar com o moço da oficina para fecharem o negócio do carro.
4 – Dona Rosa mexe nas gavetas e pergunta:
“Onde estão minhas joias?”
“Puseram esses papéis velhos aqui nas gavetas.”
“Alguém tirou minhas joias daqui.”
Passa a gritar, gesticular
e fala palavrões.
5 – Seu Mário repete sem parar:
“Eu não estou bebendo mais.”
“Por que vocês trouxeram a polícia para me prender?”
“Não quero ir para aquele lugar.”
Suas mãos são trêmulas.
Ele não sustenta mais os talheres.
Os olhos empapuçados revelam o abuso do álcool.
Ele recusa ser internado.
6 – Dona Carmem repete em casa:
“Minha mediunidade está aflorada.”
“Sei que posso falar com os espíritos.”
“Eles me prometeram revelar um segredo.”
7 – “Vamos para seu quarto, já está tarde, seu Carlos.”
“Não quero ir mais para esse quarto.”
“Foi ali que percebi que estão me vigiando.”
“Tem aparelhos em todas as paredes para me enxergarem.”

