por Nubor Orlando Facure.
No O Livro dos Médiuns, capítulo XXV, Allan Kardec nos traz informações inéditas.
Trata da “evocação dos vivos”, ou seja, a evocação de um espírito encarnado.
Os instrutores espirituais confirmam que esse procedimento é possível.
E, nas questões levantadas por Kardec, aprendemos fatos interessantíssimos que esse método provoca.
Em primeiro lugar, é preciso ocorrer um desprendimento do espírito encarnado, o que só pode acontecer quando o corpo dorme.
Um espírito encarnado pode vir a se manifestar através de um médium mesmo sem ter sido evocado.
O espírito de um vivo que se comunica não tem o mesmo grau de liberdade de um desencarnado.
O corpo físico será sempre um fator limitante ao seu grau de liberdade.
Pode ocorrer uma manifestação de uma pessoa viva sem que, ao despertar, ela tenha consciência.
“Somente o Espírito sabe e pode, algumas vezes, deixar do fato uma vaga impressão, como num sonho.”
Essa manifestação de um vivo pode ser uma ocorrência mais comum do que se imagina.
“Vós o sois, (evocado) vós mesmos, mais frequentemente do que pensais.”
A situação expressa na encarnação atual pode não revelar o que fomos no passado, nossos relacionamentos, nossos parentes e nossos interesses.
Tudo isso pode levar um espírito encarnado a se manifestar num ambiente que lhe foi familiar em outras existências.
Ao manifestar-se numa comunicação mediúnica, o espírito revela-se como os sonâmbulos, nos quais se expandem suas percepções e julgamentos.
Nesse estado de desprendimento, o espírito pode ser levado a ver melhor o significado da vida e os seus valores morais.
Mas, infelizmente, ao despertar, volta a ser dominado pelas impressões corporais, que lhe fazem esquecer as resoluções que pensava tomar.
Poderia o espírito evocado revelar algum segredo, transmitir alguma informação que se constrangia em fazer enquanto no corpo?
Existe sempre o livre-arbítrio, que lhe facultará a opção de falar ou não.
Aliás, o espírito “pode sempre escapar às importunações indo-se, porque não se pode reter seu Espírito, como se retém o seu corpo”.
Além disso, muitas coisas a que ele dava importância, enquanto encarnado,
pode não dar mais quando desprendido do corpo físico.
Existe a possibilidade de um espírito errante tomar o lugar de uma pessoa viva que se evocasse?
Isso, não se duvide, ocorre frequentemente.
A evocação de pessoas vivas deve ter sempre uma utilidade instrutiva, um estudo psicológico sério,
e não deixa de ter os seus riscos e contraindicações.
Não se devem evocar crianças de baixa idade e enfermos graves.
Allan Kardec usa o título “telegrafia humana” quando faz a seguinte pergunta:
58 – Duas pessoas, evocando-se mutuamente, poderiam transmitir-se seus pensamentos e se corresponderem?
A resposta é extremamente interessante:
“Sim, e essa telegrafia humana será um dia um meio universal de correspondência.”
Lição de casa
A evocação de vivos poderá se tornar, no futuro, uma excelente ferramenta de investigação e psicoterapia, ao lado da psicanálise e das terapias de regressão.

