Entrevista com Jacob de Melo pelo GeaE

PROJETO ENTREVISTA ELETRÔNICA

Entrevista nº 4, ano 1996

Cópia parcial ou total permitida, desde que citada a fonte. 

 

1 – Gostaria de saber se as diversas modalidades de passes descritos por você em “O Passe” são aconselhadas a se empregar em uma casa espírita.

Depende do que pretenda a Casa Espírita. Por analogia, tomemos o seguinte exemplo: apesar de se fazer ortopedia seja coisa necessária para um hospital, nem todos os hospitais se habilitam a tal tarefa. O mesmo se dá com as Casas Espíritas: dependendo do que pretenda obter com os passes, as várias técnicas podem ou não ser usadas. Necessário, entretanto, é que se avalie corretamente os propósitos das instituições e que todos os envolvidos estudem para fazerem tudo da melhor maneira possível, tanto em conhecimentos quanto em amor.

 

2 – Jacob, qual a influência da alimentação no dia de se aplicar o passe? O passista pode comer carne, por exemplo, nesse dia?

Existe uma diferença básica entre dever e poder. Tratando genericamente a segunda questão formulada, a resposta é: pode, embora não deva! Ocorre que a digestão fisiológica se utiliza também do centro vital (centro de força, chakra) gástrico quando está processando os alimentos ingeridos (vale lembrar que os centros vitais estão situados no perispírito, embora convirjam para o corpo orgânico). Se a digestão vai dificultada por excessos alimentares, tanto quantitativos quanto qualitativos, “sobram” elementos densos para o centro vital gástrico, o qual é um dos maiores responsáveis pela usinagem de fluidos vitais de doação magnética. Assim “contaminado”, o passe fica menos eficiente, podendo até chegar a fazer mal ao paciente. Com segurança podemos dizer que os fluidos de um passista que tenha se alimentado muito ou inconvenientemente, são densos, perdendo muito das qualidades radiantes.

Uma outra questão importa ser considerada. Aplicar passes com o estômago vazio, em jejum, também não é prática das mais recomendáveis. Ocorre o seguinte: quando é iniciada a aplicação do passe, o centro gástrico da maioria dos passistas entra em usinagem fluídica. Por consequência, o aparelho digestivo, não sabendo “interpretar” o que ocorre com o centro vital gástrico, entende como tendo havido uma ingestão de alimentos. Assim, inicia um processo orgânico de digestão, sem que nada de sólido ali se encontre. O suco gástrico ali formado pode gerar distúrbios orgânicos bem como desarmonias na qualidade dos fluidos usinados. Nisso tudo, conclui-se que as consequências da alimentação são mais sensíveis nos passistas que doam fluidos magnéticos próprios. Eis porque a alimentação é uma questão importante de ser analisada.

 

3 – Muitas pessoas aplicam o passe apenas pela imposição de mãos; até que ponto as técnicas influenciam na eficiência do passe?

A despeito de muitos não quererem reconhecer, as principais técnicas do magnetismo aplicadas ao passe espírita são de grande valor. Por sinal, a própria imposição de mãos é uma delas. Acontece que muitos preferem justificar o comodismo alegando a simplicidade. Quem leia as obras de André Luiz vai encontrá-lo, inúmeras vezes, fazendo referência ao uso de técnicas do magnetismo (tal como aplicado e ensinado pelos magnetizadores) lá no plano espiritual, por Espíritos sérios e orientadores. O próprio Kardec, fazendo referência às imposições, lembra, por diversas vezes, que este método de cura não é comum de ser encontrado em seu grau maior. Diz ele que poucos são os que conseguem melhores resultados pela simples imposição de mãos. O que normalmente ocorre é que queremos simplificar em vez de estudar, acomodar em vez de entender, evitar perguntas em lugar de praticar e fazer o mais adequado. Só que quando alguém faz uma imposição e possui elevado nível de doação magnética pessoal, corre o risco de congestionar fluidicamente o paciente, o que, por sinal, é muito comum ocorrer na Casa Espírita. Assim, as técnicas muito têm a oferecer em favor de uma melhor fluidoterapia, apesar de que toda a questão ética e moral, toda uma necessidade de oração e equilíbrio mental, todo um clima de amor do passista para com o paciente serem fundamentais para um grande sucesso no passe.

 

4 – Caro irmão e exímio colaborador da doutrina, eu tenho 15 anos e no seu livro “O Passe” diz que adolescentes não devem dar passe. Já em outro livro (não recordo qual) diz que pode. Qual está certo? Por que não posso dar Passe? E se for um caso de muita urgência? Posso estudar, mesmo não podendo praticar?

Conforme deves ter lido em nosso livro, usamos por base as informações de Kardec e, depois, a própria experiência com passes e passistas, para afirmar da inconveniência do adolescente em aplicar passes. Via de regra, o dispêndio de fluido vital pelo adolescente não é conveniente, pois que pode lhe fazer falta na própria constituição psíco-orgânica. Esta é a regra geral, mesmo podendo haver exceções. Agora, se o jovem tem segurança de que os fluidos que estão sendo empregados no passe são essencialmente do mundo espiritual superior, acredito que não deva haver maiores inconvenientes no exercício do passe. A questão das urgências e emergências deverão ser sempre tratadas como tal. Convém lembrar, entretanto, que o conhecimento, os cuidados e as responsabilidades deverão sempre ser preservadas. Quanto ao estudo da matéria, não só o jovem como o adulto, não apenas o passista, mas igualmente o paciente, devemos todos fazê-lo. A instrução que os Espíritos nos recomendaram inclui o estudo, especialmente no que diz respeito às leis dos fluidos, do perispírito e da mediunidade em geral. 

 

5 – Como explicar a necessidade de lavar as mãos após o passe?

Não há necessidade de lavar as mãos após o passe, a não ser como medida de higiene corporal.

 

6 – O mundo está cada vez mais povoado. Estão sendo criados cada vez mais espíritos?

Conforme Jesus, “O Pai cria incessantemente”. O fato de a população da Terra aumentar dia a dia pode ter vários motivos, dentre os quais: a transmigração de Espíritos de um mundo para outro; o crescimento espiritual de espíritos que estavam em níveis inferiores de evolução e que aqui vêm estagiar; o período entre as reencarnações cada vez menor…

 

6a – Meu filho quando era pequeno (bebê até +- 2 anos) gritava muito quando entrava na sala de passe. Agora ele (12 anos) adora inclusive não gosta de perder o passe semanal, ele quase dorme quando toma o passe. Por que essa diferença?

Quando se é criança, nossa vidência normalmente é acentuada, o que nos permite enxergar coisas que os adultos não observam. Outra coisa é que os centros vitais da criança são muito sensíveis, podendo congestionar-se fluidicamente muito facilmente. Considerando-se esses dois fatores, podemos entender que muitas crianças têm medo dos passes porque vêm os fluidos sob formas e cores que as impressionam e assustam. Por outro lado, como elas vêm esses fluidos e podem associar a visão a uma congestão fluídica havida anteriormente, surge então o pavor ao passe, à recepção de fluidos. Quando se cresce, a vidência (na maioria desses casos) passa, os centros vitais ampliam-se, deixando de congestionarem-se tão facilmente, e o jovem, agora espírita, compreendendo os benefícios do passe, busca-o como complemento de rico valor para sua vida fluídica.

 

7 – Há determinados oradores que cativam a plateia de tal forma que me parece que os espíritos aproveitam o ambiente criado e, ao decorrer da oratória, executam os trabalhos do passe; isso é correto?

É correto. A Espiritualidade faz uma aplicação de fluidos espirituais no público presente, o qual os absorve de conformidade com suas necessidades e níveis de recepção.

 

8 – Existe alguma técnica para a aplicação do passe?

Existem várias. Sua aplicação, entretanto, pressupõem a necessidade de conhecimento a fim de se obter os melhores resultados. Sugiro o estudo de nosso livro “O Passe: seu estudo, suas técnicas, sua prática”, editado pela FEB.

 

8a – De quem provem a energia do passe: do médium, da espiritualidade ou tanto de um como de outro?

Primeiro, uma questão de terminologia. Embora quase todos entendamos que por energia se esteja falando de fluido, há quem advogue, com justos motivos, a impropriedade do termo energia para referir-se ao fluido e ao perispírito. Quanto à questão de onde vem o fluido (energia), ele vem tanto de um quanto do outro. O que importa é conhecermos bem a mecânica dos fluidos para sabermos distingui-los. Na prática, o conhecimento dessa distinção pode fazer significativa diferença.

 

9- Qual é o passe mais eficiente: o normal sem incorporação ou o efetuado pelo médium incorporado?

O passe aplicado corretamente é aquele que dispensa a incorporação. Isto porque quando um Espírito quer aplicar fluidos através de um médium, basta ele, o Espírito, impor suas mãos sobre o coronário do médium e a transmissão fluídica se dará. Por outro lado, a incorporação pode criar embaraços já que o médium estará sob a influência (e muitas vezes sob o domínio) de um Espírito e, em muitos casos, ocorre de o Espírito obsessor ocupar o lugar na incorporação e aí a coisa desanda feio. Como a transmissão dos fluidos espirituais no passe se dá de perispírito a perispírito, não há necessidade de incorporação.

 

10 – Irmão Jacob. Gostaria que o irmão se possível falasse sobre o passe como simples imposição de mãos, sintonia, prece e vibração ou se há necessidade de movimentos e gestos que muitas vezes se tornam rituais e sobre o uso de aventais (não será considerado um desvio?)

Sobre as imposições como única técnica já falamos na questão 3 acima. Não acreditamos que apenas as imposições, de uma forma generalizada, resolvam as necessidades requeridas pelo passe. Isto não quer dizer que elas não sejam importantes; são muito importantes sim, especialmente porque, como técnicas, são extremamente concentradoras de fluidos. O problema é que a adoção dela como técnica única restringe em muito os benefícios que o magnetismo oferece. Por outro lado, a sintonia, a prece, a vibração e todas as boas posturas morais são imprescindíveis para qualquer ação de doação fluídica espírita. O risco de se criar rituais e paramentos não é decorrente do uso de técnicas, mas sim da falta de estudo e conhecimento acerca de onde, como, porquê e pra quê as técnicas existem. Tanto que há um grande número de Casas Espíritas que apenas impõem as mãos, mas é cheia de rituais, paramentos e tantas outras coisas mais.

 

11 – Segundo encontramos em André Luís, toda a manifestação energética processase a nível mental, através de uma manipulação de energias, (entenda-se por energia qualquer emanação frequencial na natureza, em qualquer plano). Então pergunto: em relação ao passe a distância, sendo esse uma emanação dessa energia a distância, essa não tende a dissipar-se devido a distância percorrida?

A questão é um pouco mais ampla. Primeiro, os fluidos emanados a distância devem possuir componentes diferenciados ou uma textura apropriada para “atravessar o percurso”, diferente daqueles projetados diretamente, a curta distância. Depois, a ação espiritual no primeiro caso também deve ser diferenciada, com eles providenciando um “acondicionamento fluídico” compatível para o transporte. Por fim, a absorção desse fluido pelo paciente provavelmente será introjectada pelo centro coronário e depois somatizado à semelhança da ingestão da água fluidificada e não captado diretamente pelos demais centros vitais. Por tudo isso, a distância não deve funcionar como dissipador como, por sinal, podemos registrar na prática.

 

11a – Caso isso não ocorra, no dizer do professor Herculano Pires: “O passe e algo tão simples que basta apenas desejar para aplicá-lo”, portanto, o passe nos centros espíritas não de torna desnecessário?

A assertiva de Herculano é muito feliz, mas incompleta. Ela é válida integralmente para o passe com fluidos espirituais, mas o mesmo não se dá para aqueles onde os fluidos são predominantemente dos passistas. E não adianta dizer que na Casa Espírita apenas passes espirituais são aplicados, pois o próprio Codificador deixou bem definida esta questão, tanto no Livro dos Médiuns quanto na Gênese. Alguns alegam que Jesus fazia assim e daquele jeito, achando que aí reside a simplicidade, esquecendo-se que JESUS SABIA. Portanto, o passe na Casa Espírita deve ser prática regular e necessária, como pronto socorro de ajuda aos necessitados. Apenas os passistas deveriam ser melhor formados, preparados pelo estudo prévio da teoria a fim de evitar os percalços naturais do exercício empírico.

 

12 – Estou neste momento fazendo um curso de passes, gostaria de saber: todas as pessoas podem dar passes independente do meio, do problema que deve resolver e do estado em que se encontra?

Lamentavelmente não! O passe com fluidos do mundo espiritual, até por depender, fluidicamente falando, muito pouco do passista, oferece menos obstáculos materiais, se bem que requeira uma postura moral e mental muito harmônica. Mas, como quase sempre há uma sensível parcela de fluidos magnéticos humanos, são solicitados alguns pré-requisitos para uma boa e eficiente aplicação de passe. Dessa forma, o meio, o problema e o estado em que se encontra poderá influenciar decisivamente no resultado do passe. (Veja também a questão 4 acima).

 

12a – Também gostaria de saber se tem alguma palestra agendada para Belo Horizonte?

Nenhuma por enquanto. A última vez que aí estive foi no final do ano de 94.

 

13 – Em uma reunião de cromoterapia, onde não se use lâmpadas, mas apenas a mentalização das cores. Gostaríamos de saber se as cores mentalizadas neste caso, possuem algum papel no tratamento ou seria apenas um artificio para que os médiuns se concentrem de maneira mais eficiente, isto é, há real necessidade das cores ou apenas se aplica naquele momento um passe mental?

Quando os Espíritos falam em cores dos fluidos não querem acentuar o valor delas e sim a forma como os fluidos são vistos; o mesmo em relação às cores registradas pela vidência. Não acredito seja muito feliz se fazer uma projeção mental das cores quando a atenção deveria estar voltada ao mecanismo que produz o fluido, o qual terá suas cores próprias. Para tanto, sabemos que os melhores e mais eficientes mecanismos de emissão de fluidos (que são percebidos em cores salutares e reconstituintes) são as vibrações do amor, da harmonia, da boa vontade e do bem. Dessa forma, concluo pela opção de se emitir bons fluidos pela boa vibração, baseada na oração, no amor, na fé e no conhecimento do que se faz. Esse o melhor caminho, em vez de simplesmente se mentalizar projeção de cores.

 

13a – Por que este tipo de reunião não é aceito no meio espírita?

Primeiro porque esta não é uma prática espírita; depois porque acreditamos seja um desvio dos reais objetivos buscados pelo magnetismo.

 

13b – Haveria outro tipo de atuação que poderia substituir esta reunião?

O passe ou as irradiações, com base nas situações propostas na primeira resposta.

 

13c – O que se pode fazer para aprimorá-la?

A melhor maneira para se aprimorar a cromoterapia (considerando-se esta como sendo a simples mentalização de projeção de cores) é substituí-la pela emissão de fluidos harmoniosos.

 

14 – Prezado Jacob, agradeço a oportunidade de nos comunicar. Que dizer de médiuns que, para aplicar passes, toma passes antes?

Podemos ver a questão sob dois ângulos: os que tomam passes antes porque momentaneamente não estão bem e os que tomam por hábito ou recomendação nesse sentido. Os primeiros estão com uma justificativa razoável. Digo razoável porque apesar do passe ser bom para a recuperação do passista, o ideal é que este chegue em harmonia e assim permaneça até depois de finalizados os trabalhos. Os demais precisarão repensar a prática, já que esta não encontra respaldo em orientações abalizadas nem em recomendações sérias do magnetismo. Melhor seria estudassem mais um pouco e, a exemplo do que diz André Luiz, refletissem sobre a falta de caridade que é abusar da bondade alheia (Conduta Espírita, cap. 28).

 

14a – E como conscientizar os frequentadores (papa passes) de que nem sempre estamos precisando de tomar passes?

Uma das maneiras de tratar o assunto é abordá-lo diretamente, de forma pública e aberta. Explicar nas reuniões espíritas o que é o passe, para que serve, como deve ser recebido e os inconvenientes da repetitividade por tomá-lo de forma desnecessária. Nada de tratar desse assunto de forma escusa, às escondidas. Um outro fato é o seguinte: o público espírita precisa ser conscientizado de muitas coisas. Como o exemplo fala mais que muitos discursos, precisariam os dirigentes, expositores, oradores e trabalhadores em geral da Casa Espírita darem o exemplo, inclusive estudando mais e “achando” menos, fazendo mais e falando menos. É por aí…

 

15 – É recomendável um médium psicofônico dar passe?

Não é bem esta a questão. Um médium psicofônico pode ser passista, pode ser um muito bom passista e pode ser um passista ineficiente. Uma coisa não guarda muita relação com a outra. A questão mesmo é se devemos ou não incorporar durante a aplicação do passe. E esta questão nós já a respondemos na questão 9 acima.

 

16 – Um mentor espiritual de uma médium educada disse-lhe que o tipo de mediunidade que ela possuía não a predispunha a dar passes em grande número de pessoas. Realmente, numa oportunidade de treinamento numa câmara de passes de uma reunião pública ela não passou bem. Por outro lado, trabalha com desinibição como psicofônica, psicógrafa e vidente (normalmente desdobrando-se). Qual a sua opinião? Pode haver o caso em que as energias psíquicas do médium sejam tão sensíveis a ponto de limitá-la no campo dos passes?

Tanto é possível que o fato narrado o confirma. Só não se trata de um caso de “fluidos sensíveis”, mas provavelmente de uma especificidade fluídica. Por vezes “usinamos” fluidos bons para determinados usos e ineficientes ou de alto consumo para outros. Essa limitação não é punitiva nem discriminatória: apenas uma questão de aptidão fluídica.

 

17 – Muitas casas Espíritas fazem o passe P3-B com o assistido presenciando todo o processo de desobsessão na câmara de passes. Qual a sua opinião? Esse procedimento está correto?

Particularmente não concordo com as técnicas do passe Pasteur, pelo que não sou a pessoa mais indicada para respondê-lo. Só me preocupo pelo fato de não ser muito seguro e prudente colocar o obsidiado na presença do médium que incorporará (ou poderá fazê-lo) o obsessor. Os riscos daí decorrentes são balizadores da necessidade de uma prudência.

 

18 – Sr. Jacob, é fato notório que a cultura Hindu e/ou Oriental caminha a passos largos adiante do mundo ocidental em relação ao passe. Pelo menos sabem que este não trata-se de dons de poucos e qualquer homens de boa vontade pode fazê-lo. Se a afirmativa estiver correta, a que se deve?

Não me atreveria a dizer que “caminha a passos largos”, mesmo porque ali encontram-se culturas milenares e, como tal, já guardam conhecimentos e experiências ancestrais. O que ocorre, no meu modo de ver, é que o Ocidente tem demorado muito a testar tudo o que é qualificado de “místico” ou religioso, assim perdendo oportunidades valiosas de avanços mais profundos e seguros. Só para dar um exemplo, o Brasil é por todos apontado como o “Maior País Espírita do mundo”, e nem por isso aqui encontramos grandes pesquisas e estudos a respeito do muito que temos por estudar, desvendar, elucidar e conhecer. Objetivamente, a resposta a sua questão é: infelizmente não temos sabido aproveitar o que já é sabido há tanto tempo nem temos tido disposição para fazer novas pesquisas.

 

19 – Qual a diferença entre aura e campo magnético?

Aura são radiações periféricas verificadas além dos limites do corpo físico, reflexos das funções vitais e psíquicas. Campo magnético (no sentido que o passe estuda) é toda a estrutura fluídica da pessoa, interna e externa ao corpo físico e cabível no corpo e no perispírito.

 

19a – Qualquer pessoa pode dar passes?

Pode, embora nem todas devam. Crianças, adolescentes e idosos (estes últimos, desde que não tenham o hábito da doação fluídica ou que estas os desgastem excessivamente ou ainda que já estejam abatidos nos campos vitais) devem se abster da doação magnética. Também não é recomendado para fumantes, consumidores habituais de alcoólicos, tóxicos, medicamentos controlados, sexólatras e portadores de deficiências mentais. Para os que podem, o cuidado com a vigilância e a oração são os complementos indispensáveis ao amor e ao estudo. (Veja também as questões 4 e 12 acima).

 

19b – É necessário o passista receber passe toda vez que o ministra?

Já respondemos esta questão acima (14).

 

19c – Uma pessoa com dor de cabeça pode ministrar o passe?

Depende da intensidade da dor de cabeça e da causa da dor. Em muitos casos, o ideal é tomar um passe antes e verificar se as condições melhoram.

 

19d – Qual o melhor ambiente para se ministrar o passe?

Sem sombra de dúvidas, o melhor ambiente para se ministrar o passe é a cabina de passes da Casa Espírita, nos dias e horários previstos para os trabalhos do passe. Isto porque ali o Mundo Espiritual monta toda uma estrutura de atendimento.

 

20 – Algum médium consegue ver o fluido magnético do passe?

Consegue sim, pela vidência. Dependendo da densidade do fluido, este pode chegar a ser visto até por quem não tem vidência.

 

20a – Existe alguma máquina capaz de detectar o fluido magnético do passe?

Um cientista japonês, Hiroshi Motoyama, já fez diversas máquinas para trabalhar centros de forças, fluidos e hemisférios de acupuntura. Infelizmente, nada disso, a não ser literatura, chegou ao Brasil até hoje. Também existem os estudos das fotos kirlian e algumas clássicas experiências do chamado “papa da aura”, Walter Kilner. Ambos os livros são publicados no Brasil pela Pensamento, e chamam-se, respectivamente: “Teoria dos chakras” e “A aura humana”.

 

20b – Qual a distância máxima alcançada pelo fluido magnético do passe?

Não existe nenhum estudo objetivo dessa medição, mas evidências indicam ser infinita. (Veja também a questão 11 acima). 

 

21 – Para que é necessário o passe?

Para várias coisas: restabelecimento da saúde física, psíquica e espiritual; para renovação de nossa “camada” fluídica; para reforço fluídico (energético); para fazermos o bem através dele e para melhor permutarmos vibrações.

 

21a – Como o médium deve estar para a aplicação do passe?

O doador deve estar consciente de suas responsabilidades. Para tanto, precisa conhecer para fazer bem-feito. Antecedendo a isso, a motivação fundamenta-se na boa vontade, na disposição interior não de dar passes, mas de “doar-se dando o passe”. Depois, a mente deve estar o mais harmonizada possível e manter um clima de paz, oração e atenção a tudo o que estiver fazendo. Afinal, ali estará agindo em nome do Bem.

 

21b – Por que as salas de passes são escuras?

Quando os fenômenos de materialização eram mais comuns, evidenciou-se que determinadas partículas do ectoplasma (fluido mais denso que se presta para os fenômenos de aparições tangíveis) eram sensíveis às radiações luminosas intensas, especialmente as da chamada luz branca. Daí generalizou-se o assunto, a meu ver, de forma exagerada e equivocada. As próprias materializações realizadas sob a supervisão do Sir. William Crookes provaram ser possíveis suas ocorrências à luz do dia. A meu ver, as cabines de passes não precisam ser escuras.

 

21c – Existe alguma divisão sobre o passe?

 Se entendi bem sua pergunta, existe: o espiritual, o magnético e o misto. Segundo Kardec, o primeiro é doado pelos Espíritos, diretamente ao paciente; o magnético é aquele onde os fluidos são provenientes do próprio magnetizador (passista); e o misto é a conjugação dos dois. (Veja também as questões 1, 3, 8, 8a, 10 e 23).

 

21d – Qual é o objetivo real do passe?

Fazer a transmissão de bons fluidos para quem deles precisa.

 

21e – Qual é a diferença entre o passe dispersivo e o passe de câmara?

Apesar de alguns entenderem que o passe dispersivo seja aquele que serve para dispersar, afastar, jogar de lado os fluidos, na realidade sua função é muito mais ampla. Serve para reordenar, re-harmonizar, realinhar, reativar, distribuir, modular e muitas outras coisas, tudo em relação aos fluidos e ao funcionamento dos centros vitais. É pelos dispersivos que resolvemos as congestões fluídicas, defendemos o paciente de possíveis erros ou excessos fluídicos e ainda ficam os passistas melhor protegidos quanto à possibilidade de retenção em seu perispírito de eventuais “retornos fluídicos”. Quanto a câmara de passe, entendo que seja o local onde se faz a aplicação dos passes.

 

22 – Podemos aplicar passe em pessoas que se encontrem distantes de nós, sem essas pessoas tomarem conhecimento? Qual o efeito? Será tão eficaz quanto o dado diretamente à pessoa? Ou a força da nossa mente tudo pode?

O passe a distância (que melhor seria o chamássemos de irradiação) é uma realidade e o seu efeito é muito positivo. Pode ocorrer da pessoa a quem o dirigimos não saiba e nem o perceba, mas é comum o paciente ter algum tipo de registro. Entretanto, o ideal é quando o paciente tem consciência da irradiação e se prepara para recebê-la. Quanto a ser mais ou menos eficaz que o aplicado diretamente, depende de caso a caso. Em muitos casos, o ideal é o passe aplicado diretamente no paciente. (Veja também as questões 11 e 20b acima).

 

22a – Sendo o passe uma troca de energias, uma doação, a pessoa que está tomando o passe não deve estar ciente da doação?

Realmente, o paciente deveria sempre ter muita consciência do fenômeno. Para isso, é preciso que as Casas Espíritas instruam o público de forma clara e sem mistérios. O bom é que o paciente também esteja procurando manter um bom estado de harmonia interior e de muita confiança para assim favorecer a um melhor aproveitamento dos benefícios da fluidificação pelo passe.

 

23 – Ao se aplicar o passe pode-se separá-lo em 3 (três) etapas: 1. Passe dispersivo; 2. Passe magnético nos principais centros de força; e 3. Passe magnético direcionado para os órgãos do Corpo físico/perispiritual?

Sim, é possível, mas não deve ser tomado como regra padrão. Apenas acrescentaria a necessidade de mais dispersões ao final dos passes, já que com essas dispersões eliminaremos vários inconvenientes decorrentes da mudança fluídica provocada pela aplicação do magnetismo.

 

24 – Existe algum critério que possa nos auxiliar no propósito de identificar a natureza de certos problemas, distinguindo aqueles que decorrem de um chamamento daqueles que resultam de nossa negligência?

Segundo os bons Espíritos, a consciência é o melhor juiz, em todas as horas e situações. As questões limítrofes sempre se apresentam de difícil distinção, pelo que o bom senso deve servir sempre como baliza, como farol.

 

24a – Na condição de advogado, tenho me proposto o estudo da viabilidade do reconhecimento legal da união dos homossexuais. A ideia de tirá-los da marginalidade me move, pois no meu ponto de vista, a solução para este problema está na educação e não na repressão, de vez que essa não união só não ajuda como amplifica os resultados perversos do preconceito. Qual seria o posicionamento da doutrina acerca deste problema? A princípio me foi falado que por serem pessoas desequilibradas, precisariam de certa pressão para voltar ao caminho correto.

Não me considero a pessoa ideal para tratar deste assunto. Para não dar o silêncio por resposta, vou fazer apenas uma consideração a nível fluídico. Quando temos uma relação ou um envolvimento sexual, manipulamos e liberamos fluidos que (em termos fluídicos) buscam completarem-se em idênticos fluidos, só que com cargas contrárias, para assim equilibrarem-se. As relações homossexuais não permitem que tal se dê, posto que a energética envolvida é de um mesmo teor vibratório e, portanto, não complementar. Dentre outros, este é um bom motivo para que a problemática homossexual seja analisada dentro de critérios mais amplos. O preconceito é pernicioso, devendo ser melhor analisado e superado pela sociedade, mas a homologação dos chamados direitos homossexuais pode sê-lo tão perniciosa quanto ou até mais.

 

25 – Caro Amigo, é possível termos regressões de vidas passadas sem estarmos hipnotizados ou por meios mediúnicos? E quais autores que tratam deste assunto?

Não sou estudioso do assunto, mas acredito que sim. Experiências de Deja-vu (já ter visto antes), de recordações espontâneas e mesmo de sonhos são muito estudadas nessa área. Pena que não possa fazer grande indicação bibliográfica, mas sugiro: 20 Casos Sugestivos de Reencarnação, de Ian Stevenson, alguns opúsculos e livros do Dr. Hernani Guimarães Andrade e uma visita a uma boa livraria na parte de ocultismo ou assuntos esotéricos. Só mais um detalhe: peça ao GEAE para publicar em seu boletim uma solicitação de detalhes a respeito.

 

Ao final, quero agradecer a oportunidade dessa troca de ideias. Agradeço à organização do projeto “entrevista eletrônica” e a todos os que tiveram a gentileza de enviar suas perguntas. Peço desculpas se não consegui ser melhor, mas bem que me esforcei. Encerrando, convido todos a visitarem a página do InFOREN (http://www.summer.com.br/~foren) bem como coloco à disposição meu e-mail para eventuais dúvidas ou papos, não esquecendo a lista de discussão sobre Espiritismo à disposição no e-mail majordomo@summer.com.br (sem subject, mas com o comando subscribe espiritismo).

 

Obrigado a todos e que Deus nos ilumine hoje e sempre.

 

Jacob Melo 

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O projeto “entrevista eletrônica” é uma organização conjunta de:

Casa Editora ‘O Clarim’

Grupo de Estudos Avançados Espíritas – GEAE

Instituto de Difusão Espírita – IDE

Publicações Lachâtre

 

Projeto “Entrevista Eletrônica”, entrevista nº 4, ano 1996, Jacob de Melo

 

 

É permitida a reprodução parcial ou total do texto contido neste documento, para fins pessoais e não lucrativos, desde que o texto não seja alterado e seja citada a fonte.

 

Os direitos autorais do material aqui contido pertencem ao entrevistado.

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