A questão espiritual no delírio

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por Nubor Orlando Facure.

 

Chega a ser apavorante vermos um paciente ou um familiar querido expressando, aos gritos, uma fala delirante.
Entre meus pacientes, alguns se expressam com uma grande mudança de fisionomia, de voz e de gestos.
Sou questionado com frequência:
— Será que ele não estaria tomado por um espírito?

Nossa literatura é esclarecedora.
Os textos de Allan Kardec, selecionados no livro Obsessão.
Os de André Luiz: No Mundo Maior, Entre o Céu e a Terra, Missionários da Luz.
A Dra. Marlene Rossi publicou: A Obsessão e suas Máscaras.

O enredo dessa relação de dependência entre o paciente e o espírito obsessor é expresso por várias situações presentes no cotidiano de toda a humanidade.

O cotidiano do consultório me permite registrar situações didáticas:

Desvios sexuais, principalmente o adultério.
Mário estava noivo de Jane, com casamento marcado.
Foi o pai dela, seu Jonas, que viu a traição no celular.
A inimizade familiar vem se arrastando por décadas, mesmo após a morte de Jonas.

Disputas de heranças envolvendo patrimônios expressivos.
Dionísio se livrou dos dois irmãos menores para ficar com a fortuna do avô.

Abandono familiar, deixando desprotegidos os mais frágeis.
Carminha, ainda menor, foi mandada para um orfanato, permitindo à mãe ficar livre para realizar o seu segundo casamento.

Sedução hipnótica, iludindo a confiança, principalmente de mulheres frágeis.
Marcelo se dizia terapeuta, atendendo mulheres fragmentadas, desiludidas e inseguras.
Enriqueceu enganando-as com promessas.

O aborto criminoso.
Fabrício e Adelina namoravam sem o consentimento dos pais.
Constatada a gravidez, ela não aceitou o compromisso de assumir a maternidade.

Todas essas condutas, comprometendo os dois personagens do drama, criam inimizades, perseguições, rancores e desejo de vingança.
Por isso, as dominações espirituais são comuns e mais ou menos comprometedoras, podendo durar por anos a fio.

Seguramente, um expressivo número de pacientes nas psicopatologias delirantes sofre assédio perturbador de espíritos vingativos, ou de entidades que alimentam o drama da patologia orgânica para agravar o processo mórbido.

Como identificar?
Felizmente, temos em nosso meio centros espíritas sérios, que podem contribuir muito nesses quadros.
Ali, também, será encaminhado o tratamento:
oração e jejum (abdicar das coisas terrenas);
esclarecimento, anotando o prejuízo dessa simbiose;
o perdão incondicional;
o compromisso em fazer o bem.

Lição de casa
Ensina o apóstolo Paulo que vivemos cercados por uma nuvem de testemunhas.
Os espíritos estão presentes em nossas vidas com abundância.
As nossas condutas,
o teor dos nossos pensamentos,
o comprometimento com a caridade,
a sintonia pela oração,
atrairão aqueles com quem temos compromissos a ajustar
ou os amigos que nos guiam e protegem.

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