Homeostase física e mental

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por Nubor Orlando Facure.

 

Um organismo vivo, necessariamente, permanece em atividade constante, exigindo que seja mantido em equilíbrio em suas taxas metabólicas.
Todo gasto de energia ou de material estrutural precisa ser reposto sem atraso.

Essa estabilidade interna, que é independente das oscilações do ambiente externo, foi estudada por Claude Bernard, cientista francês que determinou seus parâmetros normais.
Esse mecanismo de estabilização envolve respostas complexas do organismo, quase sempre sem a participação da consciência.

O pâncreas, por exemplo, libera insulina para o controle da glicemia, sem precisar nos perguntar se estamos de acordo.

Ensina-nos Antônio Damásio, neurocientista português, que a nossa homeostase não funciona como a estabilidade fixa de um termostato de uma geladeira ou de outra máquina térmica.
Nós temos sensações e sentimentos que interferem nos botões de controle.

Quando o sódio baixa, sentimos a boca seca, e a sede nos impõe a procura de água.
A queda do potássio nos provoca uma fraqueza muscular, obrigando-nos a procurar alimento.
A baixa da glicose no sangue quase nos faz desmaiar ou entrar em coma, exigindo o aporte de açúcar.
A queda da pressão arterial provoca uma síncope, levando-nos a ingerir muito líquido.

Tudo isso nos obriga a mobilizar socorro imediato para a nossa sobrevivência.

Por tudo isso, o nosso conceito de saúde é inicialmente definido como um “bem-estar”:
uma sensação particular de estar em equilíbrio físico e mental.

Damásio considera que a mente tem muito a ver com o desenvolvimento do controle deliberado do equilíbrio homeostático.
O corpo sinaliza, e a mente nos direciona, exigindo:

– Atuar de maneira inteligente;
– Privilegiar nossos sentimentos;
– Decidir conscientemente nossas escolhas.

Isso nos permitiu organizar uma sociedade e criar uma cultura.

Por outro lado, o equilíbrio harmonioso das funções mentais exige a homeostase das funções psíquicas:

O medo, no limite do bom senso;
A valentia, no momento necessário;
A alegria, na dose correta;
A tristeza, na ocasião apropriada;
O altruísmo, sem restrições;
O luto, na intensidade moderada;
O arrependimento, sem culpa;
A verdade, sem imposição.

Lição de casa

Estamos descobrindo que a tecnologia está nos escravizando e submetendo-nos aos seus caprichos.
Enquanto é tempo, precisamos estimular o silêncio da mente e investir tempo em nós mesmos.

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