| O LIVRO DOS ESPíRITOS - LIVRO 3, CAP. 4 |
693-a. Não obstante, há espécies de seres vivos, animais e plantas, cuja
reprodução indefinida seria prejudicial às outras espécies e das quais, em
breve, o próprio homem seria vítima. Seria repreensível deter essa
reprodução?
-- Deus deu ao homem, sobre todos os seres vivos, um poder que ele deve
usar para o bem, mas não abusar. Ele pode regular a reprodução segundo as
necessidades, mas não deve entravá-la sem necessidade. A ação inteligente do
homem é um contrapeso posto por Deus entre as forças da Natureza para
restabelecer-lhes o equilíbrio, e isso também o distingue dos animais, pois ele
o faz com conhecimento de causa. Os animais concorrem, por sua vez, para esse
equilíbrio, pois o instinto de conservação que lhes foi dado faz que, ao
proverem à própria conservação, detenham o desenvolvimento excessivo e talvez
perigoso das espécies animais e vegetais de que se nutrem.
694. Que pensar dos usos que têm por fim deter a reprodução, com vistas à
satisfação da sensualidade?
-- Isso prova a predominância do corpo sobre a alma e o quanto o homem está
imerso na matéria.
| O LIVRO DOS ESPíRITOS - LIVRO 3, CAP. 4 - OBSTáCULOS A REPRODUçãO |