1Entre
esta doutrina da reencarnação e a da metempsicose, tal como
a admitem algumas seitas, há uma diferença característica
que será explicada no curso desta obra.
2A
palavra "não" foi inserida na revisão feita pelo GEAE.
3O
ramo de parreira acima é o fac-símile do que foi desenhado
pelos Espíritos.
[5]As
frases que se seguem às perguntas são as respostas dadas
pelos Espíritos. Suprimimos as aspas nesta edição
por considerá-las desnecessárias. As notas e explicações
de Kardec, intercaladas no texto, são compostas em tipo especial,
de maneira que não há possibilidade de confusão. (N.
do T.)
[6]Os
espíritos se referem ao Universo. Tudo quanto nele conhecermos tem
começo e tem fim; tudo quanto não conhecemos se perde no
infinito, no desconhecido. Aplicação da expressão
francesa: passer du connu à l'inconnu. (N. do T.)
[7]Este
princípio explica o fenômeno conhecido de todos os magnetizadores,
que consiste em se dar, pela vontade, a uma substância qualquer,
à água, por exemplo, as mais diversas propriedades: um gosto
determinado, e mesmo as qualidades ativas de outras substâncias.
Só havendo um elemento primitivo, e as modificações
dos diferentes corpos sendo apenas modificações desse elemento,
resulta que a mais inofensiva substância tem o mesmo princípio
que a mais deletéria. Assim, a água, que é formada
de uma parte de oxigênio e duas de hidrogênio, torna-se corrosiva,
se duplicarmos a proporção do oxigênio. Uma modificação
análoga pode produzir-se pela ação magnética
dirigida pela vontade.
[8]As
variações de tratamento, ora na segunda, ora na terceira
pessoa correspondem aos momentos em que o Espírito se referia ao
interlocutor, pessoalmente, a todos os presentes, ou ainda a toda à
Humanidade. (N. do T.)
9As
recentes declarações do Papa Pio XII, admitindo os cálculos
da ciência para a formação da Terra, confirmam o acerto
de Kardec nesta nota. (N. do T.)
10Advertência
aos que condenam a Bíblia sem levar em conta os fatores históricos
e a linguagem figurada do texto. (N. do T.)
11As
escavações arqueológicas realizadas por "sir" Charles
Leonard Woolley, em 1929, ao norte de Basora, próximo ao Golfo Pérsico,
para a descoberta de Ur, revelaram os restos de uma catástrofe diluviana
ocorrida exatamente quatro mil anos antes de Cristo. Ao encontrar a camada
de lodo que cobria as ruínas da Ur primitiva, Woolley transmitiu
a notícia ao mundo nos seguintes termos: "Encontramos os sinais
do dilúvio universal". Trabalhos posteriores comprovaram o fato,
mostrando que houve um dilúvio local no delta do Tigre e do Eufrates,
exatamente na data assinalada pela Bíblia. Este fato vem confirmar
a previsão de Kardec. (N. do T.)
12Os
Espíritos revestidos do perispírito são o objeto desta
referência. Sem o perispírito, nada tem de material, como
vemos na resposta ao item 79. (N. do T.)
[13]Todo
este trecho se refere ao Espírito puro, desprovido de perispírito.
Necessário atentar para essas variações, a fim de
não confundirmos as explicações. (N. do T.)
14Esta
teoria espírita sobre os demônios vai hoje se impondo aos
próprios meios religiosos que mais acirradamente a combateram. Em
O Diabo, o escritor católico Giovanni Papini a endossou,
apoiado nos Pais da Igreja. O padre Pierre Teilhard de Chardin, cuja doutrina
aproxima a teologia católica da concepção espírita,
considera o Inferno como "polo negativo do mundo", integrado no Pleroma
(o mundo divino unido ao corpo místico do Cristo) e assim se refere
aos demônios: "O condenado não é excluído do
Pleroma, mas apenas da sua face luminosa e da sua beatitude. Perde-o,
mas não está perdido para ele." (Le Millieu Divin Oeuvres
Seuil, 1957 Paris pág. 191.) (N. do T.)
[15]Foi
acrescentado pelo GEAE a resposta a esta pergunta que faltava na versão
original. A resposta foi tirada da edição da IDE.
16Ver,
na Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, a explicação
sobre a palavra ALMA, § II.
17O
Marxismo ainda não havia surgido, pois O Capital só
foi publicado em 1867. Mas as previsões de Kardec quanto ao caráter
violento da sociedade materialista se confirmaram historicamente, sendo
apenas atenuadas pela impossibilidade de generalização da
idéia no seio do povo. (N do T)
18Esta
afirmação de Kardec, apesar de repelida pelos religiosos,
teve a sua confirmação histórica: "O Espiritismo é
o mais poderoso auxiliar da Religião". Foi graças às
provas espíritas da sobrevivência da alma e à explicação
racional dos problemas espirituais que a onda materialista do século
XIX pôde ser refreada. Ainda hoje, como se vê pela obra do
padre Teilhard de Chardin, pela obra do pastor e teólogo anglicano
Haraldur Nielsen e pela revolução que sacode a Teologia em
geral, são os princípios espíritas que reerguem e
reabilitam as religiões. (N. do T.)
19
As teorias psicológicas, metapsíquicas, parapsicológicas
e outras, sobre as aparições, são hipóteses
pessoais e parciais, que não abrangem a totalidade dos fatos, e
bastaria isso para provar a sua fragilidade e insustentabilidade científicas.
(N. do T.)
[20]De
todos os globos que constituem o nosso sistema planetário segundo
os Espíritos, a Terra é daqueles cujos habitantes são
menos adiantados, física e moralmente; Marte lhe seria ainda inferior,
e Júpiter, muito superior, em todos os sentidos. O Sol não
seria um mundo habitado por seres corpóreos, mas um lugar de encontro
de Espíritos superiores, que de lá irradiam seu pensamento
para outros mundos, que dirigem por intermédio de Espíritos
menos elevados, com os quais se comunicam por meio do fluído universal.
Como constituição física, o Sol seria um foco de eletricidade.
Todos os sois, ao que parece, estariam nas mesmas condições.
O
vo1ume e o afastamento do Sol não tem nenhuma relação
necessária com o grau de desenvolvimento dos mundos, pois parece
que Vênus está mais adiantado que a Terra e Saturno menos
que Júpiter.
Muitos
Espíritos que animaram pessoas conhecidas na Terra disseram estar
reencarnados em Júpiter, um dos mundos mais próximos da perfeição.
E é de se admirar que num globo tão adiantado se encontrem
homens que a opinião terrena não considerava tão elevados.
Isto, porém, nada tem de surpreendente, se considerarmos que certos
Espíritos, que habitam aque1e planeta, podiam ter sido enviados
a Terra em cumprimento de uma missão que, aos nossos olhos, não
os colocaria no primeiro plano; em segundo lugar, entre a sua existência
terrena e a de Júpiter podiam ter tido outras, intermediárias,
nas quais se tivessem melhorado; em terceiro 1ugar, naquele mundo, como
no nosso, há diferentes graus de desenvolvimento, e entre esses
graus pode haver a distância que separa entre nós o selvagem
do homem civilizado. Assim, do fato de habitarem Júpiter não
se segue que estejam no nível dos seres mais evoluídos, da
mesma maneira que uma pessoa não está no nível de
um sábio do Instituto, pela simples razão de morar em Paris.
As
condições de longevidade não são, por toda
parte, as mesmas da Terra, não sendo possível a comparação
de idades. Uma pessoa falecida há alguns anos, quando evocada, disse
haver encarnado, seis meses antes, num mundo cujo nome nos é desconhecido.
Interpe1ada sobre a idade que tinha nesse mundo, respondeu: "Não
posso ca1cular, porque não contamos o tempo como vós, a1ém
disso, o nosso meio de vida não é o mesmo: desenvolvemo-nos
muito mais rapidamente; tanto assim, que há apenas seis dos vossos
meses nele me encontro, e posso dizer que, quanto a inte1igência,
tenho trinta anos da idade terrena."
Muitas
respostas semelhantes foram dadas por outros Espíritos e nada há
nisso de inverossível. Não vemos na Terra tantos animais
adquirirem em poucos meses um desenvolvimento norma1? Por que não
poderia dar- se o mesmo com o homem, em outras esferas? Notemos, por outro
lado, que o desenvo1vimento alcançado pelo homem na Terra, na idade
de trinta anos, talvez não seja mais que uma espécie de infância,
comparada no que ele deve atingir. É preciso ter uma visão
bem curta para nos considerarmos os protótipos da Criação,
e seria rebaixar a Divindade acreditar que, além de nós,
nada mais poderia criar.
[21]Os
Espíritos a1udem a eternidade espiritual da doutrina e sua permanente
projeção na Terra. Mas devemos distinguir entre as suas manifestações
falseadas, no passado, e a manifestação pura que se encontra
neste livro. Os traços da doutrina espírita marcam o roteiro
da evolução humana na Terra, mas só com este 1ívro
ela se apresentou definida e comp1eta. Por isso, o Espiritismo é
na Terra uma doutrina moderna, embora não seja "uma invenção
moderna", como acentua Kardec, mesmo porque ninguém a inventou.
(N. do T.)
22Kardec
não se refere a doutrina da sociedade Teosófica, quo só
foi fundada mais tarde, em 1875, mas a Teosofia num sentido geral, como
era então conhecida a palavra, ou seja, uma forma de conhecimento
intuitivo ou raciona1 das coisas divinas. (N. do T.)
23Obsessões
para os vícios, de que dão prova os tratamentos espíritas
em hospitais e nos Centros. O grifo é nosso. (N. do T.)
[24]O
respeito pelos mortos não é apenas um costume, como se vê:
é um dever de fraternidade, que a consciência conserva e para
o qual nos alerta. Por pior que tenha sido o morto, não temos o
direito de aumentar-lhe o suplício com as nossas vibrações
agressivas. A caridade nos manda esquecer o mal e lembrar o bem, pois só
assim ajudaremos o Espírito desencarnado a superar as suas falhas
e esforça-se para evoluir. Pensando e falando mal dele, só
podemos prejudicá-lo, irritá-lo e até mesmo voltá-lo
contra nós. (N. do T.)
[25]No
original: "Esprits follets e legers". Alguns traduzem por "duende", porque,
em francês, "esprit folle" é duende. No caso presente, porém,
o acréscimo do adjetivo "leger" e a própria seqüência
do assunto parecem dar razão à nossa tradução.
(N. do T.)
[26]
Os pais e os professores espíritas devem ponderar sobre este item
e os que se lhe seguem. O Espiritismo vem abrir um novo capítulo
da Psicologia infantil da Pedagogia, mostrando a importância da educação
da criança não apenas para esta vida mas para a sua própria
evolução espiritual. (N. do T.)
27Algumas
traduções dizem: "Esquecido de seu passado, ele é
mais senhor de si". A frase francesa é a seguinte: "Par l'oubli
du passé il est plus lui-même". O fato de "ser ele mesmo",
na nova encarnação, parece-nos mais significativo do que
ser "senhor de si". (N. do T.)
[28]As
pessoas que tanto se interessam por saber o que foram em vidas anteriores
devem prestar atenção a estes itens. Pelo estudo de suas
tendências atuais, não esquecendo o progresso que devem ter
realizado, teriam uma idéia do que foram e do que fizeram. (N. do
T.)
[29]Kardec
usou as duas expressões: "Segunda vista" e "dupla vista", com evidente
preferência pela primeira. Em português, sendo comum a "dupla
vista", demos preferência a esta. (N. do T.)
30Todos
estes fenômenos estão hoje cientificamente provados pelas
pesquisas parapsicológicas, embora certos pesquisadores pretendam
fazê-los "acomodar-se ao materialismo". Veja-se o que diz a respeito
dessa acomodação, a resposta à pergunta 446 deste
livro. (N. do T.)
[31]Diz
o texto francês: "et par conséquent il en subit les conséquences".
Em geral, nas traduções, procura- se corrigir a repetição.
Preferimos respeitá- la, mesmo porque nos parece destinada a dar
ênfase ao fato. (N. do T.)
[32]Esta
resposta dos Espíritos lembra a Kardec os estudos magnéticos
a que se dedicara longamente, antes do Espiritismo, e que lhe serviram,
como se vê, de preparação para o desempenho da sua
missão de pesquisador e codificador. (N. do T.)
33Neste
comentário às respostas dos Espíritos, Kardec nos
oferece duas indicações importantes: a primeira, referente
à interpretação espírita da Mitologia, que
modifica tudo quanto os estudos puramente humanos do assunto firmaram a
respeito, até hoje, pois mostra que os deuses mitológicos
realmente existiam, como Espíritos; a segunda, referente à
Sociologia, que à luz do Espiritismo reveste-se também de
novo aspecto, exigindo o estudo da interação das coletividades
espirituais e humanas, para a boa compreensão dos processos sociais.
(N. do T.)
[34]Este
problema de bênção e maldição, como
o do maravilhoso, constante dos itens 528 e 529, exemplifica de
maneira positiva a natureza racional do Espiritismo, geralmente acusado
de supersticioso pelos que ignoram a Doutrina. Mas um dos pontos mais importantes
deste capítulo é o referente a instinto, no item 522.
Vemos ali que o conceito espírita de instinto se refere à
lembrança inconsciente das provas que escolhemos antes de encarnar.
Assim, a voz do instinto é o pressentimento dos acontecimentos
marcantes da atual existência. O Espírito encarnado recebe
o aviso interior, mas pode atendê-lo ou não, segundo o seu
livre- arbítrio. Não confundir esse conceito espírita
de instinto com o conceito psico-biológico de instinto como
necessidade orgânica. Sobre este, ver os itens 589 e 590. (N. do
T.)
35A
inteligência do homem é ilimitada em face da inteligência
limitada do animal. O texto francês diz: "indéfinie", geralmente
traduzido por indefinida. Embora a palavra indefinida tenha, também
em português, o sentido de sem limites, parece- nos que a tradução
mais clara é a que fizemos. (N. do T.)
[36]Algumas
pessoas fazem desta resposta uma negação da continuidade
evolutiva das coisas e dos seres. O leitor deve considerar que a resposta
se refere à condição dos mundos superiores, onde há
plantas, animais e homens, como nos inferiores, mas em escala avançada.
A palavra "sempre" não é empregada aí no sentido de
eternidade, mas tão somente para mostrar que os três reinos
existem "sempre", em todos os mundos referidos.
Aliás,
uma frase não poderia contradizer todo o livro. Ver os itens 604,
607 e 607- a. (N. do T.)
[37]Descartes
ensinava que os animais são máquinas, agindo segundo as leis
naturais, por não terem espírito. Essa concepção,
que no tempo de Kardec era ainda bastante difundida, prevalece até
hoje entre a maioria dos homens. Os Espíritos a contestaram, como
se vê, e a sua opinião é referendada pelas ciências.
(N. do T.)
[38]Os
Espíritos levantam aqui um problema filosófico, o do "ser
do corpo", que o desenvolvimento da Filosofia Espírita tende a esclarecer.
Ver obras especializadas, na Coleção Filosófica Edicel.
(N. do T.)
[39]A
dialética marxista contraria aparentemente este princípio,
com a afirmação de que a Natureza "dá saltos". Na
realidade, esses saltos são qualitativos e decorrem da acumulação
de pequenas modificações quantitativas, ou seja, de uma cadeia
de ações e reações. Engels afirmou: "Embora
com toda a sua graduação, a transição de uma
forma de movimento para outra sempre se apresenta como um salto, que se
resolve em revolução." Esta teoria justifica a revolução
social. Mas essa mesma revolução, segundo o marxismo, só
pode ocorrer em condições especiais, preparadas por uma longa
série de acontecimentos. Dessa maneira, mesmo diante da concepção
materialista revolucionária, permanece válido em sua substância
o princípio espírita: "nada na Natureza se faz por transição
brusca". Todo "salto" é o fim de uma cadeia de ações
e reações. (N. do T.)
40"0
Livro dos Espíritos" contém em si toda a doutrina, mas nem
todos os princípios do Espiritismo estão nele suficientemente
desenvolvidos. A codificação é progressiva. Vemos
o aspecto científico desenvolver- se no "Livro dos Médiuns"
e em "A Gênese"; o aspecto religioso em "0 Evangelho segundo o Espiritismo"
e "O Céu e o Inferno". Para esclarecimento dessa questão
da origem do homem, o leitor deve consultar o capítulo VI de "A
Gênese", parte referente a "Criação Universal" (comunicação
de Galileu, recebida por Flammarion e integrada por Kardec na codificação),
o capítulo X, "Gênese Orgânica", especialmente no número
26 e seguintes, referentes ao "Homem Corpóreo" e o capítulo
XI, "Gênese Espiritual". Aconselhável também a leitura
de "A Evolução Anímica", de Gabriel Delanne, obra
subsidiária da codificação. Em "Depois da Morte",
de Léon Denis, o capítulo XI da parte segunda intitulado
"A pluralidade das existências". Note- se ainda a concordância
dos ensinos acima, sobre o problema da metempsicose, com a constante afirmação
dos Espíritos, neste livro, de que: "Tudo se encadeia na Natureza".
(N. do T.)
[41]Por
este princípio: "a lei natural é a lei de Deus, eterna e
imutável como Ele mesmo", certos teólogos católicos
e protestantes acusam o Espiritismo de doutrina panteísta. O mesmo
fizeram com Espinosa, para quem Deus, a substância única,
é a própria Natureza, mas não no seu aspecto material,
e sim nas suas leis. Espinosa respondeu: "Afirmo-o com Paulo, e talvez
com todos os filósofos em Deus; ouso mesmo acrescentar que esse
foi o pensamento de todos os antigos hebreus". (Carta LXXIII, explicando
a proposição XV da "Ética": "Tudo o que existe, existe
em Deus, e nada pode existir nem ser concebido sem Deus".) Embora exista
funda divergência entre a concepção espinosiana e a
espírita de Deus, ambas concordam ao negar o antropomorfismo católico
e protestante, ao reafirmar o princípio paulino acima citado e ao
estabelecer identidade de origem e natureza divina para todas as leis do
Universo. Por outro lado, assim como Espinosa não confundia a natureza
material (natura naturata) com Deus, mas apenas a natureza inteligente
(natura naturans), assim também o Espiritismo não faz semelhante
confusão, estabelecendo ainda que as leis de Deus são uma
coisa e Deus mesmo é outra. Veja-se o capítulo primeiro do
Livro Primeiro, sobre Deus. Não há possibilidade de confusão
entre Espiritismo e Panteísmo, a menos que se admita como panteísta
a doutrina da imanência de Deus, por força mesmo de sua transcendência;
e nesse caso, católicos e protestantes também seriam panteístas.
(N. do T.)
[42]Descartes
na terceira de suas Meditações Metafísicas,
declara que a idéia de Deus está impressa no homem "como
a marca do obreiro na sua obra". Essa idéia de Deus é inata
no homem e o impele à perfeição. Embora as escolas
modernas de Psicologia neguem a existência de idéias inatas,
o Espiritismo a sustenta. Ela decorre do princípio da reencarnação,
que foi provado pelo Espiritismo através de pesquisas. Por outro
lado, as idéias de Deus, da sobrevivência e do bem e do mal
existem e sempre existiram entre todos os povos. A lei de Deus está
escrita na consciência do homem, como a assinatura do artista na
sua obra. (N. do T.).
[43]Comparar
esta resposta com a mensagem do Espírito da Verdade colocada por
Kardec como prefácio de "O Evangelho segundo o Espiritismo". Como
se vê, desde os primeiros momentos os Espíritos anunciaram
que a finalidade da doutrina era o restabelecimento do Cristianismo. (N.
do T.)
[44]Os
textos sagrados das grandes religiões, como a Bíblia e os
Vedas, os sistemas de antigos filósofos, as doutrinas de velhas
ordens ocultas ou esotéricas, todos encerram grandes verdades, nas
suas contradições aparentes. Os espíritas não
devem recuar diante desses sistemas ou ver-lhes apenas as contradições,
quando possuem a chave do Espiritismo, com a qual estão aptos a
decifrar-lhes os enigmas, descobrindo poderosos motivos de esclarecimento.
Também nos sistemas modernos de Filosofia ou de Ciência, por
mais contrários que pareçam aos princípios espíritas,
uma análise verdadeiramente espírita poderá revelar
a existência de grandes verdades. (comparar com II Timóteo,
3:l6 e 17). (N. do T.)
[45]As
pesquisas sociológicas deram motivo a uma reavaliação,
em nosso tempo, do conceito tradicional de moral. Entendeu-se que a moral
é variável porque o bem de um povo pode ser mal para outro,
e vice-versa. Renouvier, entretanto, em Science de la morale, a
compara às matemáticas: é uma ciência que deve
fundar-se em puros conceitos. Os sociólogos confundiram moral e
costumes, mas ultimamente já distinguiram, na confusão dos
costumes, uma regra geral, que é a aspiração comum
do bem. Bergson, em Les deux sources de la morale et de la religion,
estabelece dois tipos de moral: a fechada, que decorre da coação,
e a aberta, que é individual e não se sujeita às convenções.
A moral relativa é a convencional, enquanto a moral absoluta é
a ditada pela aspiração universal do bem, pela lei de Deus
gravada nas consciências. (N. do T.)
[46]Comparar
com "o maior mandamento" em Mateus, 22:36 a 40; Marcos, 12:28 a 31; João
15:12; Romanos, 13:8 a 10. (N. do T.)
[47]Espinosa
dizia que "Deus age segundo unicamente as leis de sua natureza, sem ser
constrangido por ninguém" (Proposição XVII da "Ética),
e afirmava a impossibilidade do milagre, por ser uma violação
das leis de Deus. Também no tocante aos males individuais, alegava
que eles não existiam na ordem geral do Universo. (N. do T.)
[48]Resposta
dada pelo Espírito do Sr. Monod, pastor protestante de Paris, falecido
em abril de 1856. A resposta precedente, número 664, é do
Espírito de São Luís.
49A
concepção espírita do trabalho como lei natural, determinante
ao mesmo tempo da evolução do homem e da Natureza, coincide
com o princípio marxista segundo o qual, nas próprias palavras
de Marx: "Agindo sobre a Natureza, que está fora dele, e transformando-a
por meio da ação, o homem se transforma também a si
mesmo". Vemos, no item 676, que "sem o trabalho o homem permaneceria na
infância intelectual". O Espiritismo não encara, pois, o trabalho
como "uma condenação", segundo dizem alguns marxistas, mas
como uma necessidade da evolução humana e da evolução
terrena. Trabalhar não é sofrer, mas progredir, desenvolver-se,
conquistar a felicidade. A diferença está em que, para os
marxistas, a felicidade se encontra nos produtos materiais do trabalho
na Terra, enquanto para os espíritas, além dos proventos
imediatos da Terra, o trabalho proporciona também os da evolução
espiritual. Por isso não basta dar trabalho ao homem, sendo também
necessário dar-lhe educação moral, ou seja, orientação
espiritual para que ele possa tirar do trabalho todos os proventos que
este lhe pode dar. Um mundo socialista, de trabalho e abundância
para todos, mas sem perspectivas espirituais seria tão vazio e aborrecido
como um mundo espiritual de ociosidade, segundo o prometido pelas religiões.
O paraíso terrestre do marxismo equivaleria ao paraíso celeste
dos beatos. O Espiritismo não aceita um extremo nem outro, colocando
as coisas em seu devido lugar. (N. do T.)
[50]A
população do mundo continua em intenso crescimento (Veja-se
Población Mundial, de A. M. Carr Saunders, Fondo de Cultura
Econômica, México 1939), mas os jogos de equilíbrio
da própria Natureza são visíveis para os observadores
do movimento demográfico. Por outro lado, na proporção
em que cresce a população, a Ciência e a técnica
aumentam as possibilidades de produção e de aproveitamento
de regiões inabitadas. As apreensões e o pessimismo de Malthus
e seus discípulos dão bem um exemplo do que seja "ver apenas
um ângulo do quadro da Natureza". (N. do T.)
[51]O
Espiritismo é teleológico, tanto do ponto de vista físico
quanto do ético: as coisas materiais e os fatos morais, o mundo
e o homem, tudo tem uma finalidade mas não de ordem antropológica.
Muitas vezes ela contraria ou escapa ao pensamento do homem. Isso deu motivo
à reação antiteleológica da Filosofia moderna.
A Ciência, por sua vez, tratando apenas do plano objetivo, não
viu mais que "um ângulo do quadro da Natureza" e restringiu-se às
"condições determinantes". Sua natureza analítica
não lhe permite abranger o sentido das coisas e dos fatos. Henri
Bergson, porém em L'Evolution Creatice desenvolveu a teoria
do elã vital, segundo a qual todo o curso da evolução,
partindo da matéria mais densa, dirige-se à liberação
da consciência no homem, aparecendo este como o fim último
da vida na Terra. Essa é a tese espírita da evolução,
até aos limites da vida terrena. Mas o Espiritismo vai além,
admitindo a "escala dos mundos", através da qual a evolução
se processa no infinito, sempre com a finalidade da perfeição.
(N. do T.)
52O
impulso poligâmico do homem não é um instinto biológico,
mas um simples resquício das fases anteriores de sua evolução.
Não sendo irracional, nem controlado pelas leis naturais das espécies
animais, ele tem o dever moral de refrear esse impulso e sublimar a sua
afetividade através do amor conjugal e familiar. É pela razão
e o livre arbítrio que e1e se controla, elevando-se conscientemente
acima das exigências biológicas e das ilusões sensoriais.
Se esse controle lhe parece difícil, maior é o seu dever
de realizá-lo, porque maior é a sua necessidade de evolução
nesse campo e também porque "o mérito do bem está
na dificuldade", como se vê no item 646 deste livro. (N. do T.)
[53]Esta
resposta coloca de maneira bem clara o problema dos "saltos" da Natureza,
de que tratamos em nota anterior. "O salto qualitativo" a que se refere
a dialética marxista, e que para alguns contradiz a ordem evolutiva
da doutrina espírita, é exatamente essa espécie de
"transtornos" que apressam o desenvolvimento. Como se vê, o Espiritismo
reconhece a existência e a necessidade desses "transtornos", mas
integrados no processo geral da evolução, não os admitindo
como quebra desse processo. (N. do T.)
[54]Definição
perfeita da concepção espírita da moral. Os princípios
verdadeiros de moral são de natureza eterna e os costumes dos povos
se modificam através da evolução, em direção
daqueles princípios. A sociologia materialista, tratando apenas
dos costumes, criou o falso conceito de relatividade da moral, já
em declínio, entretanto, no pensamento moderno. O homem intui cada
vez de maneira mais clara as leis divinas da moral, na proporção
em que progride. Os seus costumes se depuram e a sua moral se harmoniza
com essas leis superiores. (N. do T.)
[55]Herbert
Spencer considerou a família entre as instituições
que dão forma à vida social; Marx e Engels, como o primeiro
grupo histórico, a primeira forma de interação humana;
Augusto Comte, como a célula básica da sociedade, o embrião
e o modelo desta, de maneira que a sociedade perfeita é a que funciona
como a família. Atualmente, a Sociologia da família e a Psicologia
social, bem como as próprias escolas de psicologia do indivíduo
reconhecem a importância básica da família. O mesmo
se dá nos estudos de Psicologia educacional e de Filosofia da educação.
John Dewey, em Democracia e Educação, acentua a importância
do lar na organização social e na preparação
da vida social. Como se vê, a asserção dos Espíritos
de que "os laços de família resumem os liames sociais" são
confirmados até mesmo pelos estudos materialistas da sociedade.
(N. do T.)
56Como
se vê, por este comentário de Kardec e pelas explicações
dos Espíritos, a que ele se refere, o Espiritismo reconhece a necessidade
desses motivos periódicos de agitação natural, quer
dos elementos, quer dos povos, para a realização do progresso.
Mas os admite como fatos naturais e não como criações
artificiais a que os homens devam dedicar-se, em obediência a doutrinas
revolucionárias. O que ele ensina é que o homem deve colocar-se,
nesses momentos, acima de seus mesquinhos interesses pessoais para ver
em sua amplitude a marcha irresistível do progresso, auxiliando-a
na medida do possível. (N. do T.)
57Será
essa a civilização cristã que o Espiritismo estabelecerá
na Terra. Como se vê pelas explicações dos Espíritos
e os comentários de Kardec, a civilização incompleta
em que vivemos é apenas uma fase de transição entre
o mundo pagão da Antiguidade e o mundo cristão do Futuro.
Nos costumes, na legislação, na religião, na prática
dos cultos religiosos vemos a mistura constante dos elementos do paganismo
com os princípios renovadores do Cristianismo. Cabe ao Espiritismo
a missão de remover esses elementos pagãos para fazer brilhar
o espírito cristão em toda a sua pureza. Veja-se, a propósito,
todo o cap. I de "O Evangelho segundo o Espiritismo". (N. do T.)
[58]O
transcurso do primeiro século do Espiritismo, a 18 de abril de 1957,
veio confirmar plenamente essa extraordinária previsão de
Kardec. No primeiro século do seu desenvolvimento o Cristianismo
era ainda uma seita obscura e terrivelmente perseguida. Somente nos fins
do terceiro século atingiu as proporções de desenvolvimento
e universalização que o Espiritismo apresenta no seu primeiro
século. A marcha do Espiritismo se fez com muito maior rapidez e
sua vitória brilhará mais rápida do que se espera.
(N. do T.)
[59]No
mundo de hoje este problema já vem provocando tentativas de solução.
Trata-se do aproveitamento das vocações, cujo desperdício
sistemático acarreta perdas consideráveis à economia
social e profundo desequilíbrio na estrutura das sociedades. (N.
do T.)
[60]Há
mais de cem anos este livro indicava a solução exata do problema
feminino: igualdade de direitos e diversidade de funções.
Marido e mulher não são senhor e escrava, mas companheiros
que desempenham uma tarefa comum, com a mesma responsabilidade pela sua
realização. O feminismo adquire um novo aspecto à
luz deste princípio. A mulher não deve ser a imitadora e
a competidora do homem, mas a sua companheira de vida, ambos mutuamente
se complementando na manutenção do lar, que é a célula
básica da estrutura social. (N. do T.)
[61]Há
quem estranhe a existência do túmulo de Allan Kardec no Cemitério
de Pére Lachaise, em Paris, visitado pelos espíritas. Outros
censuram a visita de espíritas aos túmulos de parentes e
amigos. Como se vê, são excessos de zelo que a doutrina não
endossa. O túmulo de Kardec, como disse o médium Francisco
Cândido Xavier, após visitá-lo: "É uma mensagem
permanente de luz". Quanto aos outros, veja-se o item 323. (N. do T.)
[62]Temos
nesta resposta, de maneira clara e precisa, uma exposição
sucinta do que podemos chamar a dinâmica espírita do aperfeiçoamento
humano. Através das quedas e advertências, dos riscos e do
auxílio dos bons Espíritos, o homem de boa vontade irá
vencendo os seus maus pendores e se preparando, já nesta existência,
para uma vida melhor no futuro. Longe de nos desanimar, nossas quedas devem
ser transformadas em degraus de escada do nosso melhoramento espiritual.
Como se vê, a "auto-salvação" de que alguns religiosos
nos acusam não é mais do que o desenvolvimento da vontade
e da razão da criatura, sob a dispensação da graça
de Deus, através de seus mensageiros, os bons Espíritos.
(N. do T.)
63Consultar
"A Gênese", onde Kardec analisa os motivos do aparecimento do Espiritismo
em meados do século dezenove, quando o mundo atingia um estado de
adiantada civilização. O conhecimento da realidade espírita
da vida só é possível, em sua plenitude, em mundos
civilizados, da mesma maneira que no estado de civilização
esse conhecimento é um imperativo do próprio progresso e
um meio de acelerá-lo. (Ver "A Gênese", cap. I, itens 16 a
18 e particularmente o período final deste último.)
64O
argumento espírita contra o suicídio não é
apenas moral, como se vê, mas também biológico, firmando-se
no princípio da ligação entre o Espírito e
o corpo. A morte, como fenômeno natural, tem as suas leis que o Espiritismo
revelou através de rigorosa investigação. O sofrimento
do suicida decorre do rompimento arbitrário dessas leis: é
como arrancar à força um fruto verde da árvore. As
estatísticas mostram que a incidência do suicídio é
maior nos países e nas épocas em que a ambição
e o materialismo se acentuam, provocando mais abusos e excitando preconceitos.
A falta de organização social justa e de educação
para todos é causa de suicídios e crimes. Ver o final do
item 949: "... se abolirdes os abusos da vossa sociedade e os vossos preconceitos,
não tereis mais suicídios." (N. do T.)
[65]Teólogos
católicos e protestantes confirmam hoje essa previsão. Leia.se
Giovanni Papini: O Diabo, ou Haraldur Nielsson, O Espiritismo
e a Igreja. Veja-se nota anterior sobre Teilhard de Chardin. (N. do
T.)
[66]Este
trecho da comunicação de Paulo lembra as tríades druídicas
sobre as quais há interessante estudo de Kardec na Revue Spirite,
publicado em separata no folheto Espiritismo: antiguidade, evolução
e propagação, do Clube dos Jornalistas Espíritas
de S. Paulo. Veja-se ainda o livro de Léon Denis: Le Genie Celtique
et le Monde Invisible, edição Jean Meyer. Paris, 1927.
(N. do T.)
67Ver,
na Revista Espírita, as Palestras Familiares de Além-Túmulo.
(N. do T.)
[68]Estas
respostas de São Luís confirmam a natureza religiosa do Espiritismo,
ressaltada por Kardec no item VIII da Conclusão, em que a
Doutrina é apresentada como desenvolvimento histórico do
Cristianismo. Estranham alguns que o Espírito use o título
de santo, mas é evidente que o usa como meio de identificação.
Aliás, como ensina Kardec, os títulos terrenos nada representam
para os Espíritos superiores, podendo ser usados por eles quando
se fizer necessário, como neste caso. (N. do T.)
69A
pluralidade dos mundos habitados era admitida como possibilidade, no tempo
de Kardec, como o é hoje, embora a Ciência não a admita
como verdade comprovada. Flammarion publicou uma grande obra a respeito,
traduzida para o português: A Pluralidade dos Mundos Habitados,
e no prefácio de O Desconhecido e os Problemas Psíquicos
declara, com a sua autoridade de astrônomo: "A imortalidade através
das esferas siderais parece-me o complemento lógico da Astronomia."
Os astrônomos atuais procuram obter provas a respeito. (N. do T.)
70
"Um passatempo das reuniões sociais", ou "un passe-temps de societé",
porque, nos dias de Kardec estava muito em moda na sociedade européia,
espalhando-se por todo o mundo como procedente da América, a prática
das chamadas "sessões de mesinha", com a "mesa-falante". Era essa
uma forma de que os Espíritos se utilizavam para realizar, segundo
observa Conan Doyle, em sua "História do Espiritismo" , uma verdadeira
invasão do mundo pelas suas manifestações. (N. do
T.)
71
Pode-se objetar hoje, a esse quadro apresentado por Kardec, que duas guerras
mundiais abalaram a Terra depois dele e que pesa atualmente sobre a civilização
a ameaça ainda mais terrível da guerra atômica. Mas
essas conseqüências do egoísmo, que ainda endurecem o
coração do homem mais civilizado, não negam o progresso
geral ali descrito. São apenas a prova de que o progresso ainda
tem muito a fazer. Por outro lado, é evidente a existência
de uma consciência mundial que condena esses fatos, extinguindo os
ódios nacionais e sectários. (N. do T.)
72
Kardec se refere aos espíritas classificados como de primeiro grau
no capítulo VII destas conclusões, ou seja, àqueles
que admitem as comunicações e as estudam como objeto de uma
ciência experimental. São os metapsiquistas ou atualmente
os parapsicólogos, enfim, todos os que, à maneira de Morselli,
pretendem criar um Espiritismo sem espíritos. (N. do T.)